Pronto para jogar "no quintal de casa"

Pronto para jogar "no quintal de casa"

Pentacampeão mundial, veterano zagueiro admite sondagem do Brasiliense, revela encontro com presidente do Gama e assume que está disponível para retorno ao futebol candango

Victor Gammaro*
postado em 10/02/2017 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press
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(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )



Quase duas décadas após deixar o Guará, o capitão da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010 pode estar perto de retornar aos gramados da terra natal. Em entrevista exclusiva ao Correio, o zagueiro, de 38 anos, contou os planos de voltar a atuar no país e apoiar o futebol do Distrito Federal. Uma ligação de um dirigente do Brasiliense e um encontro ;amistoso; com Weber Magalhães, presidente do Gama, são tudo que Lúcio confirma sobre os boatos em relação a um possível retorno ao futebol candango. Caso se confirme, a volta ocorrerá 20 anos após ter chamado a atenção do Internacional na goleada de 7 x 0 do colorado sobre o Guará, equipe que o zagueiro defendeu apenas naquela partida, válida pela Copa do Brasil. De uma coisa, no entanto, os clubes podem ter certeza: após 12 anos na Europa e passagens por São Paulo, Palmeiras e Índia, o veterano zagueiro está disposto a ouvir propostas dos times do DF. Nessas temporadas mais recentes, Lúcio enfrentou dificuldades. O jogador nega, mas Zico, então técnico do GOA FC ; time que o brasiliense defendeu nos últimos dois anos ;, afirmou que ele teve problemas com a diretoria do clube no último ano em terras indianas. Já no São Paulo, encarou treinos separado do elenco e salários atrasados, que só foram resolvidos em 2016, na Justiça. Ao Correio, Lúcio falou sobre o futebol do DF; deu sugestões para Paulo Henrique Ganso (Sevilla) e Gabriel Barbosa, o Gabigol (Inter de Milão); elegeu Marquinhos (PSG) como o melhor defensor brasileiro na atualidade; e comentou sobre a Seleção Brasileira de Tite.






Você recebeu sondagem de algum time do Candangão?

Recebi uma ligação de um dirigente do Brasiliense, não lembro do nome, mas foi uma conversa amistosa. Para mim, seria bom e um meio de apoiar o futebol daqui, mas não chegou nada oficial. Estou à espera.

Não há nenhuma negociação em andamento?

Ligaram do Brasiliense há um mês e depois não houve contato, não evoluiu como esperava. Se eu jogar por aqui, vai ser no quintal de casa, seria prazeroso, mas não depende só de mim. Tenho uma certa relação com o presidente do Gama, talvez possa acontecer. Não houve proposta deles também, mas conversei com ele (Weber Magalhães) amigavelmente, fomos tomar um café.

Como vê a possibilidade de voltar a atuar no DF? Está preparado fisicamente?
Eu gosto de jogar. Sempre procuro me manter bem fisicamente e, se surgir alguma coisa interessante, eu estou pronto. Fico treinando em casa, na academia. Meu primo é personal trainer e fez uma programação diária para mim.

Em entrevista ao Correio no fim de janeiro, Zico afirmou que você teve problemas com a diretoria do GOA FC (da Índia). O que aconteceu?
Depois que eu machuquei o tornozelo, houve várias complicações, e tinham muitas viagens. Havia cobrança por causa da má campanha e repercutiu em cima de alguns nomes mais citados por lá. Esse segundo ano, não foi tão bom quanto a temporada anterior, em que chegamos até a final. A escolha de não me relacionar era dele, não houve problema, desvio de conduta meu. Não tive nenhum problema com o Zico, mas em alguns momentos ele preferiu não me relacionar.

Há proposta de equipes das séries A ou B?

Alguns clubes me ligam, mas não formalizam o interesse. Quando me procurarem, vou analisar a proposta. Especulação não é o que espero, mas não posso ir atrás do time. Temos que chegar a um acordo, tem que partir deles.

Faz planos de se aposentar?
Não sei quando vou parar, não tem data. Sei que a cada dia que passa, está mais próximo, mas enquanto me sentir bem e fizer meus treinos com alegria e satisfação pretendo continuar. Minha esposa e meus filhos não ficariam insatisfeitos se eu parasse. Faz 20 anos que saí de Brasília.

Qual é o melhor zagueiro do Brasil atualmente?

Tenho acompanhado o Marquinhos, não o passo a passo, mas o considero um grande jogador. É jovem, vi uns treinos dele quando acompanhei o Dunga em jogos do Brasil (Lúcio foi auxiliar do então técnico da Seleção nas partidas contra Paraguai e Uruguai) e o vejo em uma crescente muito grande.

Por que a mudança de técnico fez tão bem para a Seleção Brasileira?

A mudança faz bem muitas vezes. O Dunga fez uma excelente campanha até o intervalo do jogo das quartas de final da Copa de 2010. Depois, há um desgaste, que é normal do futebol quando não tem resultado. O Tite chegou num momento que o time precisava de uma reação e faz um trabalho extracampo maravilhoso.

Quais foram os problemas na passagem pelo São Paulo?
Meu relacionamento com os jogadores era muito bom, mas fui afastado depois que Adalberto (Adalberto Dellape Baptista, dirigente do São Paulo à época), que me levou para lá, saiu do cargo três meses depois que cheguei. O salário era pesado para o clube, e o Jesus (João Paulo Jesus Lopes, então vice-presidente de Futebol), de forma covarde, me colocou para treinar separadamente.

Aceitou a condição sem problemas?
Aceitei. Só pedi que o clube honrasse os compromissos comigo, o que não aconteceu. Infelizmente, é normal isso no Brasil, não é? Só no ano passado, na Justiça, o problema foi resolvido. Mas fiz muitos amigos por lá, até hoje falo com Jadson, Luís Fabiano, Ganso; Vários.

Em relação a Ganso, por qual motivo você acha que ele e o Gabigol ainda não despontaram na Europa?
O futebol brasileiro tem uma cadência maior, tem tempo para pensar melhor, reagir. Na Europa, é um jogo muito veloz, intensidade nos 90 minutos, é mais puxado. Quando fui para a Alemanha, nos primeiros meses, achei que não ia me adaptar. Acho que eles têm que aproveitar as chances, estão em clubes de expressão e têm que reagir, persistir. Não podem desistir.

O que pensa de Gabigol não querer ser emprestado para um clube de menor expressão?

Se eu fosse ele, também tentaria buscar meu espaço no clube grande, tentar a chance na Inter. Ele foi comprado por algum motivo, chamou atenção com os gols que fez. Tem que insistir, assim como o Ganso. Amanhã, eles poderão ser destaques. O futebol gira muito rápido.

*Estagiário sob a supervisão de Cida Barbosa





;Não sei quando vou parar, não tem data. Sei que a cada dia que passa, está mais próximo, mas enquanto me sentir bem e fizer meus treinos com alegria e satisfação pretendo continuar;

;Para mim, seria bom e um meio de apoiar o futebol daqui, mas não chegou nada oficial. Estou à espera;


;Não tive nenhum problema com o Zico (na Índi

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