Precisava mais cinquenta?

Precisava mais cinquenta?

Segundo filme da franquia perde diretor e roteirista e consegue piorar o que era ruim

Ricardo Daehn
postado em 10/02/2017 00:00
 (foto: Universal Pictures/Divulgação)
(foto: Universal Pictures/Divulgação)

Crítica Cinquenta tons mais escuros







Sentimento de posse e uma sede por hierarquia estão embutidos na trama de Cinquenta tons mais escuros, considerada de amor, mas calibrada, de verdade, no lucro. É coerente que, bilionário, Christian Grey (Jamie Dornan) veja um reflexo de vantagem a cada passo. É conveniente ainda, que esse cenário de relações físicas e amorosas, moldadas em estratégias, tenha caído nas mãos de um novo diretor: James Foley ; talhado para a missão, já que ficou conhecido pelo comando de House of cards. Sai de cena, portanto, a cineasta do primeiro filme, um êxito de 2015, Sam Taylor-Johnson.

E, acredite (), tudo veio a piorar. A começar pelo amontoado de concessões e o ajuste calculado para o gosto médio da endinheirada e leiga sociedade americana. Fácil de cair na corriqueira apreciação positiva, quando um filme se apropria de músicas eternizadas por Frank Sinatra e dos palatáveis Coldplay e Taylor Swift; e escrutina a falta de bom gosto, numa festa à fantasia de endinheirados mais tosca do que a de De olhos bem fechados.

Fora isso, o que dizer do oportunismo na associação com grandes marcas corporativas berrante na tela? Menos intenso, só mesmo o anêmico grau de criatividade da autora E L James, que tem livros embalados por tramas que parecem as de qualquer folhetim de banca de revistas. Na solução caseira, de capitalizar ainda mais, há erro escandaloso na escolha do novo roteirista: primeiro plano para o inexpressivo Niall Leonard, justo o marido de E L James.

O que se vê neste segundo capítulo poderia muito bem ter passado naqueles pornôs soft exibidos nas noitadas televisivas de outrora. ;Seja minha;, ;Eu sou sua;, ;Quero você todo inteiro;, ;Não gosto de estranhos babando por você; e ;Ele quer o que é meu; cirandam como pérolas no paupérrimo roteiro, capaz de suscitar saudades de Orquídea selvagem.

Entre gemidos aleatórios, irrelevância de situações cênicas fúteis, indícios de prostituição de luxo da protagonista Anastasia Steele (Dakota Johnson), como levar algo a sério em Cinquenta tons mais escuros? Grosso modo, o filme é isso: dentro de um sistema de recompensas, que inclui palmadas em bumbum arrebitado de uma moça que é tratada como mascote para um sádico, há beleza no entendimento ;do outro;, que comanda situação surreal de amor, com limites no sexo. Perversão maior? Fingir ansiedade para o desfecho da trilogia.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação