Queremos transparência

Queremos transparência

LEONARDO MEIRELES leonardomeireles.df@dabr.com.br
postado em 21/02/2017 00:00
Seria possível desfiar uma quantidade imensa de frases de impacto sobre os bastidores das vidas pública e privada. Entretanto, vez ou outra, é necessário escancarar essas relações, esclarecer decisões e mostrar a exigência da leitura crítica de qualquer situação. Como quando o governo tenta forçar a barra na relação com a imprensa, acusando profissionais de serem mentirosos, de fazerem matérias ;que não condizem com a verdade;, como costumam colocar em respostas prontas mandadas para as redações.

Leitores e autoridades precisam saber que o jornalismo, em qualquer plataforma, também tem o papel desagradável de apontar o que há de podre no cerne da sociedade. Doloroso, mas necessário. Mas ainda existe uma parcela do poder público que insiste em negar fatos e em trabalhar os números para que a população se satisfaça com o oficial.

Na semana passada, soube que o secretário de Saúde do DF, Humberto Fonseca, exigiu que nenhuma informação fosse passada para o repórter Otávio Augusto, do Correio Braziliense. Assim chegou à assessoria de imprensa da pasta, que não forneceu mais nenhum dado pedido pelo jornalista. O que o senhor secretário esquece é que a comunicação negada a Otávio também é negada à população em geral.

Otávio é daqueles repórteres com sangue nos olhos, ávido pelo furo de reportagem e que vai além de números oficiais. Há vacinas suficientes, diz a secretaria. Pois ele vai a filas em hospitais e postos de saúde a fim de verificar a veracidade. Denúncia de má gestão? Lá está ele atrás de funcionários e pacientes para fugir das autoridades e dos discursos prontos.

Ou seja, Otávio faz o que qualquer outro jornalista deveria fazer: apurar, apurar e apurar para não errar. Correr atrás da informação que está além dos documentos. Perturbar os poderosos para esclarecer os fatos. O resultado pode ser chato para alguns, desagradável por mostrar o que há de errado no mecanismo dentro do governo, entretanto, é extremamente necessário.

Muitos leitores podem não saber como é difícil fazer jornalismo sério, quais problemas enfrentamos diariamente. Então, nada melhor do que mostrar com transparência esses obstáculos. Esperar que esse mesmo esclarecimento venha de camadas superiores do poder é uma utopia cada vez mais inalcançável. É um problema, mas nada insuperável. Que venha a próxima pauta.

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