Turismo sustentável

Turismo sustentável

» VINICIUS LUMMERTZ Presidente da Embratur
postado em 21/02/2017 00:00
Quando anunciou aos líderes do trade turístico mundial, em Madri, no primeiro grande evento da temporada, que estava aberto o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento, o jordaniano Taleb Rifai não largou palavras ao vento. Como secretário-geral da respeitada Organização Mundial do Turismo (OMT), que congrega 157 países, ele dizia ao mundo que a Organização das Nações Unidas (ONU), órgão ao qual a OMT está ligada, reconhece a importância do setor para o equilíbrio e avanço das economias de todo o mundo.

O que, convenhamos, não é pouca coisa. Ao se posicionar à frente de um movimento como esse, a ONU e, por consequência, a OMT querem deixar bastante claro o quanto valorizam o setor, bem como é importante para o turismo avançar quanto à maneira de trabalhar a questão da eficiência da gestão. A OMT espera que se alcance um modelo de turismo colaborativo e inteligente, um turismo sustentável que leve ao desenvolvimento. O turismo mundial representa hoje perto de 9% do PIB global. Mas todos nós sabemos que ele tem uma representatividade que vai muito além do que simples números. O turismo é o responsável pela integração dos povos e das culturas, por meio da valorização dos patrimônios culturais, naturais, arquitetônicos, gastronômicos, históricos e outros.

O turismo é o segmento da economia que tem a maior capilaridade, que desenvolve de maneira simultânea atividades em 53 setores diferentes. O que responde mais rapidamente, quando se fala em retorno de investimentos. Tivemos, recentemente, diversos casos de recuperação econômica em países bastante afetados por crises, exatamente a partir de uma retomada do crescimento do turismo. A Espanha é talvez o melhor exemplos

Por décadas o país ficou conhecido por sua força no setor turístico. Quando veio a crise econômica que afetou diversos países europeus no final da década passada, o desemprego e o desânimo tomaram conta do país, levando o turismo junto. Nos últimos dois ou três anos, o turismo espanhol reagiu e, em janeiro deste ano, seu governo anunciou o número recorde de visitantes em 2016. Os mais de 75 milhões de turistas estrangeiros deixaram mais de 77 bilhões de euros nos cofres espanhóis, espantando de vez a crise que rondava o país.

No Brasil, pode acontecer o mesmo. Mas assim como na Espanha e em outros países, só foi possível esse enfrentamento da crise após um trabalho conjunto envolvendo o poder público, a iniciativa privada e as entidades representativas. Provas de que existem importantes trabalhos de parceria para o crescimento do setor são encontradas a todo momento, em todo o País. Mas não dá para não citar em especial o que ocorreu no Rio de Janeiro, quando o setor público investiu pesadamente para receber os turistas que vieram para os grandes eventos. A questão da infraestrutura, em especial a mobilidade, foi atacada de frente. Veio a ampliação das linhas de metrô, o VLT, o BRT. Os aeroportos foram totalmente reformados e ampliados, foram criadas áreas de lazer e museus.

Com apoio das entidades representativas, o setor privado correspondeu, por exemplo, ao dobrar a capacidade de hospedagem na cidade. Se em 2007, quando ocorreu o primeiro dos grandes eventos, os Jogos Pan-Americanos, haviam 30 mil leitos disponíveis, em 2017, nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, já eram 60 mil.

O comprometimento de organismos com representatividade mundial, como a OMT e a ONU, certamente vai trazer muita luz a esse tema. Sem uma união efetiva entre os diversos atoresnão há como avançar nas etapas necessárias para se alcançar excelência em serviços, em especial no turismo, que nada mais é do que uma soma de serviços de diversas áreas. O Brasil, em especial, tem que saber se inserir nesse novo momento. O governo está para anunciar medidas que podem ajudar imensamente ao país a entrar nesse novo momento do turismo em condições de igualdade com as demais potências do setor. Potencial nós temos. O Fórum Econômico Mundial diz que o Brasil é o país com mais capacidade de explorar suas belezas naturais. Mas já está passando a hora de transformar a naçãocom potencial em grande potência turística.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação