Em Bagdá, Mattis nega tomar petróleo

Em Bagdá, Mattis nega tomar petróleo

postado em 21/02/2017 00:00
 (foto: Thomas Watkins/AFP)
(foto: Thomas Watkins/AFP)



A afirmação do general James Mattis, secretário de Defesa dos Estados Unidos, ao chegar a Bagdá, soou como uma tentativa de apaziguar os temores provocados pelas polêmicas declarações do presidente norte-americano, Donald Trump. Durante a campanha presidencial e dias depois de ser eleito, Trump disse que as tropas dos EUA deveriam ter se apropriado do petróleo iraquiano para financiar a guerra e privar o grupo extremista Estado Islâmico (EI) desta fonte vital de renda.

Mattis, o ;cachorro louco;, um general da Marinha reformado que participou da invasão do Iraque, aparentemente rejeitou a ideia. ;Nos Estados Unidos, pagamos normalmente pelo gás e pelo petróleo, e estou certo de que vamos continuar fazendo isso no futuro. (;) Não estamos no Iraque para nos apoderarmos do petróleo;, comentou, ao iniciar a primeira visita do Iraque como secretário de Defesa.

No mês passado, em discurso na sede da Agência Central de Inteligência (CIA), Trump afirmou que os Estados Unidos ;deveriam ter tomado o petróleo;, depois de terem retirado a maior parte das tropas do Iraque sob o mandato de Barack Obama. Sem dar mais detalhes, o presidente acrescentou: ;Talvez tenhamos outra oportunidade;.

Outro assunto delicado, pelo qual Trump foi muito criticado pelas lideranças iraquianas, foi o decreto de proibir temporariamente a entrada nos EUA de cidadãos de sete países muçulmanos, incluindo o Iraque. O texto foi suspenso pela Justiça americana, mas a Casa Branca advertiu que prepara novo decreto para burlar a decisão dos tribunais. Nesse sentido, Mattis garantiu não conhecer o novo decreto, mas se disse convicto de que isso não afetará os iraquianos que trabalham com as forças norte-americanas.

Mossul
Com o apoio de aviões e helicópteros, as forças iraquianas avançaram ontem em direção ao aeroporto de Mossul, o primeiro alvo da ampla ofensiva para expulsar o EI da região oeste da segunda maior cidade do Iraque. As autoridades iraquianas esperam que o chefe do Pentágono reafirme o apoio da coalizão internacional liderada por Washington à luta contra os extremistas, durante reuniões com o primeiro-ministro, Haider Al-Abadi, e o ministro de Defesa, Irfan Al-Hiyali. No domingo, as tropas iraquianas retomaram 15 localidades no caminho até o aeroporto.



;Não é meu presidente;



Aos gritos de ;Não é meu presidente; e ao ritmo de canções patrióticas e de protesto, 3 mil pessoas de manifestaram em Nova York contra Donald Trump, no feriado que os norte-americanos celebram o ;dia do presidente;. Manifestantes de todas as idades se concentraram na Columbus Circle, em frente ao Trump International Hotel e ao lado do Central Park, para expressar insatisfação com o novo governo. Cerca de 15 mil pessoas confirmaram presença no ato, convocado pelo Facebook. Alguns levaram cartazes em que pediam o impeachment de Trump e pediam que ele fosse descartado no lixo. ;Trump está destruindo o país. Se não fizermos algo, perderemos os Estados Unidos antes de percebermos. Por isso, nos últimos quatro dias fui a quatro protestos. O que mais posso fazer? É a única maneira de tentar chegar ao Congresso;, disse à agência France-Presse uma das manifestantes, Rima Strauss, psicoterapeuta aposentada de 70 anos que vive entre Nova York e Washington. Protestos semelhantes estavam planejados para outras grandes cidades, como Los Angeles, Chicago, Atlanta, Filadélfia e Washington.


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