Crise diplomática com a Malásia

Crise diplomática com a Malásia

postado em 21/02/2017 00:00
 (foto: Manan Vatsyana/AFP)
(foto: Manan Vatsyana/AFP)



As investigações sobre a morte misteriosa de Kim Jong-nam, irmão mais velho do líder norte-coreano, supostamente por envenenamento, na capital da Malásia, abriram uma crise diplomática entre os dois governos. As autoridades malaias buscam quatro cidadãos da Coreia do Norte suspeitos de envolvimento e o regime comunista de Pyongyang denuncia um ;pacto com forças hostis; para minar a imagem externa de Kim Jong-un, apontado como mandante do suposto assassinato do irmão, que foi preterido na sucessão e se tornou crítico da ;dinastia Kim;.

Convocado a dar explicações sobre o crime, o embaixador norte-coreano em Kuala Lumpur, Kang Chol, convocou a imprensa para sustentar que as acusações feitas ao seu governo ;não têm fundamento;, Kang questionou a condução das investigações pelas autoridades malaias ; em especial, a demora para divulgar os resultados da necropsia. Kim Jong-nam morreu na última segunda-feira, depois de ter pedido atendimento médico no aerporto da capital malaia, onde aguardava um voo para Macau, na China. O embaixador da Malásia em Pyongyang foi chamado de volta para consultas, medida que sinaliza uma crise diplomática.

;Sete dias se passaram, mas não há nenhuma evidência inequívoca sobre as causas da morte e, no momento, não podemos ter confiança nas investigações da polícia da Malásia;, disse à imprensa o emissário norte-coreano. Kang acusou os policiais malaios de terem espancado um adolescente, filho de um suspeito norte-coreano detido em Kuala Lumpur na semana passada. Nos primeiros dias após o confuso episódio, foram detidas duas mulheres suspeitas de executar o ataque, uma delas com passaporte vietnamita e outra com documentos da Indonésia. Um cidadão indonésio e um norte-coreano também estão sob custódia da polícia em Kuala Lumpur.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Malásia rebateu as queixas do embaixador, que reclamara a entrega do corpo para que fosse examinado na Coreia do Norte e depois questionou a demora na divulgação de resultados. ;Insistimos no fato de que o falecimento ocorreu em território malaio, em circunstâncias misteriosas, e que cabe ao Estado realizar investigar a causa da morte;, diz o comunicado. ;Esperamos que (a Coreia do Norte) entenda que na Malásia observamos o império das leis.;

Falando à imprensa diante do necrotério onde o corpo de Kim Jong-nam é mantido, o embaixador Kang acusou as autoridades malaias de ceder a supostas pressões da Coreia do Sul. O governo de Seul sustenta que Kim Jong-un ordenou o assassinato do irmão mais velho.

Cena do crime
Imagens divulgadas ontem pela TV japonesa mostram o que seria o momento do ataque ao ;irmão renegado; do líder norte-coreano, na semana anterior. Com baixa resolução, o vídeo permite ver um homem, identificado como Jong-nam, aguardando o momento do embarque com destino a Macau. Duas mulheres se aproximam dele, pelas costas, e uma delas estende um pano sobre o rosto do norte-coreano. Essa suspeita é identificada como a portadora de passaporte vietnamita detida dois dias após o incidente. O irmão do líder norte-coreano queixou-se de queimadura nos olhos e foi encaminhado à clínica do aeroporto, de onde foi transferido para um hospital, mas morreu no caminho.

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