Costura de alianças

Costura de alianças

À espera da contagem final dos votos da eleição presidencial de domingo, o governista Lenín Moreno apostava em vitória no primeiro turno. Guillermo Lasso articulava apoios para tira-teima em abril

postado em 21/02/2017 00:00
 (foto: Juan Cevallos/AFP)
(foto: Juan Cevallos/AFP)



Governistas e oposicionistas afiavam as armas e estudavam alianças para um possível segundo turno na eleição presidencial do Equador, à espera da contagem dos últimos votos de uma disputa com definição incerta, passadas 24 horas da votação. Na noite de ontem, apuradas 90% das seções eleitorais, Lenín Moreno, candidato da esquerdista Aliança País, do presidente Rafael Correa, aparecia com 39,1% dos votos, contra 28,3% do direitista Guillermo Lasso. Para se eleger em primeiro turno, é preciso obter no mínimo 40% da votação, com uma vantagem de 10 pontos sobre o segundo colocado.

;Creio que vamos alcançar os 40%. Tenho dados que permitem presumir isso;, disse Moreno em à imprensa, em Quito. O governista, porém, mostrou-se confiante para um eventual segundo turno, previsto para 2 de abril. ;Vamos ganhar;, assegurou. Do lado oposto, Lasso e seus seguidores apostavam no apoio dos demais candidatos para destronar o grupo político de Correa, que se despede do poder após 10 anos. ;Estamos no segundo turno;, comemorou o candidato na cidade costeira de Guayaquil, reduto liberal. ;Tivemos uma grande vitória.;

Desde a noite de domingo, com a divulgação das pesquisas de boca de urna e dos primeiros resultados oficiais da apuração, simpatizantes da oposição concentraram-se diante do Coselho Nacional Eleitoral (CNE), na capital, em vigília para exigir ;transparência; na contagem. O CNE afirma que os números finais devem sair até quinta-feira, por causa de ;anomalias; nas cédulas de votação. O presidente do organismo, Juan Pablo Pozo, pediu aos eleitores que ;esperem pelos resultados oficiais em um ambiente de paz, pois existem margens estreitas para definir se haverá segundo turno;. De acordo com Pozo, o desfecho do primeiro turno ;está sendo disputado voto a voto;.

Divisão
;Tem de haver um segundo turno. Quem ganharia seria Lasso, porque estamos cansados do Aliança País, que roubou (dinheiro do) petróleo e uma infinidade de impostos;, disse à agência de notícias France-Presse Gonzalo Reyes, funcionário público de 56 anos, que acompanhava o andamento da apuração diante do CNE, na madrugada de ontem. Militares e policiais faziam a segurança do edifício, depois de terem sido registrados incidentes entre partidários dos dois principais candidatos.

De acordo com analistas do cenário político no Equador, a coalizão esquerdista que apoia Correa, defensor de um ;socialismo cristão; e inicialmente associado ao falecido presidente venezuelano Hugo Chávez, enfrenta desgaste após uma década no poder. A queda nas cotações internacionais do petróleo minou as contas públicas e comprometeu os programas sociais que garantiram dois mandatos consecutivos ao presidente. A disputa no Equador se segue à ascensão de governos de direita na Argentina, com a eleição de Mauricio Macri, e no Brasil, com o impeachment de Dilma Rousseff.

Embora dividida no primeiro turno, a oposição a Correa ensaia somar forças em uma segunda rodada. ;Recebemos o apoio de algumas forças políticas;, anunciou Lasso, que conta de início com o apoio da candidata direitista Cynthia Viteri, detentora de 16,3% dos votos.

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