Aluno leva 14 pontos no rosto

Aluno leva 14 pontos no rosto

Menino de 6 anos se machucou durante o intervalo da escola, mas ainda não se sabe se o ferimento foi provocado por uma mordida ou por um esbarrão no corredor. Mãe de menino de 6 anos denuncia falha da direção durante o atendimento

» PAULA PIRES Especial para o Correio
postado em 21/02/2017 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
Indignação e impotência são os sentimentos da mãe de um aluno, de 6 anos, da rede pública de ensino. O garoto levou 14 pontos no rosto após um incidente na escola, em Taguatinga. Segundo a criança, o ferimento foi provocado pela mordida de um colega da mesma turma. Mas a direção informou à Regional de Ensino que o machucado teria sido causado por um esbarrão no corredor do colégio. O caso aconteceu às 16h40 de quinta-feira da semana passada, quando as crianças do 2; ano do ensino fundamental voltavam do intervalo.

A mãe do menino acredita que houve falta de cuidado, além de omissão por parte do centro de ensino. ;A diretora foi incapaz de levar a criança para um hospital imediatamente após o acidente. Deu a desculpa de o telefone do colégio estar sem sinal e, quando conseguiu, deu a de que o Samu não tinha ambulância;, reclamou a mulher. ;Fui informada pelo colégio (do incidente) às 17h20. Demorei 10 minutos para chegar lá. Quando vi a cena, não acreditei em tamanha violência. O meu filho todo ensanguentado, cobrindo uma das bochechas com um pedaço de pano;, relatou.

Quando perguntou à diretora o que houve, a situação ficou mais tensa. ;A diretora disse que não houve agressão, que isso era coisa de criança, um acidente.; Segundo a mãe do garoto, a professora ;mandou; ele falar que havia sido mordido. Ainda segundo a mãe da criança, em nenhum momento a direção se posicionou de maneira eficiente para levar a criança ao hospital o mais rápido possível. Ela contou que saiu da escola desesperada, com o filho nos braços. ;Fui pedir ajuda a um vizinho que trabalha no Corpo de Bombeiros, mas ele estava de plantão. Então, peguei um Uber. Por volta das 19h30, demos entrada no Hospital Regional de Taguatinga. O meu filho foi encaminhado para o setor de cirurgia plástica do hospital. Ele sofreu uma microcirurgia para restaurar a bochecha;, detalhou.

Ela informou que pretende levar o caso à Justiça. Também registrou ocorrência na 21; Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). ;O meu filho não dorme à noite, está muito agressivo comigo e não quer comer nada;, lamentou.

A assessora da Coordenação Regional de Ensino de Taguatinga, Cristina Cruz, alega que não houve agressão. Ela informou que a professora da turma disse que os dois alunos envolvidos esbarraram um no outro, mesma versão apresentada pela diretora à Regional. A Secretaria de Educação informou que ;a diretora da escola acionou o Samu, que prestou as orientações necessárias para o encaminhamento da criança ao Hospital Regional de Taguatinga, tendo em vista o fato de que as três ambulâncias que servem à região estavam em atendimento naquele momento. Em seguida, a direção da unidade escolar ligou para mãe do aluno pedindo autorização para levá-lo ao hospital. A mesma disse que o levaria pessoalmente;.

Ainda de acordo com a assessoria de Comunicação da Secretaria de Educação, a pasta ressalta que a Coordenação da Regional de Ensino de Taguatinga e a direção da escola estão, desde então, em diálogo com a mãe do aluno para esclarecer o ocorrido.

Estresse
Para o especialista em psicologia pediátrica Aderson Júnior, não é possível fazer uma análise do episódio de agressão entre os dois alunos da escola pública sem entender todo o contexto. Segundo ele, a violência acontece em função de uma série de razões. ;Um comportamento isolado não sugere nada. O fato deve ser analisado a partir de circunstâncias históricas entre os personagens envolvidos, com todos os antecedentes e os consequentes, encontrando os eventuais motivos que possam explicar, ou não, este tipo de comportamento agressivo;, explicou.

Ainda de acordo com o especialista, em um momento como esse, a escola não pode abrir de sua responsabilidade. ;A instituição de ensino é muito maior do que simplesmente transmissora de conhecimentos. A direção, os professores e os pais dos alunos envolvidos devem se reunir para elucidar sobre tudo o que aconteceu. Até para que esse comportamento violento se repita,; esclareceu. Aderson acrescentou que é normal a criança vítima de agressão fique sob forte estresse emocional e sem vontade de voltar para a escola por um tempo.




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação