Caminho aberto para corte maior

Caminho aberto para corte maior

Corte de 0,75 ponto percentual na Selic já era esperada pelo mercado devido à queda da inflação. Para analistas, a decisão deixa aberta a possibilidade de diminuição maior na próxima reunião do Copom. Bancos baixam taxas de linhas de crédito

» ANTONIO TEMÓTEO
postado em 23/02/2017 00:00

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu ontem, pela segunda vez consecutiva, a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, para 12,25% ao ano, e deixou a porta aberta para um corte de 1 ponto percentual no próximo encontro. A decisão, tomada de forma unânime pelo colegiado, era esperada pelo mercado, que está confiante na trajetória de queda da inflação, diante da profunda recessão da economia brasileira.

No comunicado divulgado após a reunião, o Copom destacou que continua a avaliar a extensão do ciclo de corte de juros e observou que uma possível intensificação do ritmo de queda da Selic dependerá da evolução da atividade econômica, das projeções para a inflação e dos demais fatores de risco. O colegiado ainda ponderou que o alto grau de incerteza no cenário externo pode dificultar o processo de desinflação.

Entretanto, os diretores do BC destacaram que a queda nos preços dos alimentos pode contribuir para quedas adicionais das expectativas de inflação. Além disso, a recuperação mais lenta da economia favorecerá a redução do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para o Copom, o comportamento da inflação permanece favorável. O processo de desinflação é mais difundido e indica queda nos custos dos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.

Apesar das perspectivas favoráveis, o BC não divulgou o cenário de referência no qual se baseia para cortar os juros. É a primeira vez, desde que Ilan Goldfajn assumiu a autoridade monetária, que as projeções não fazem parte do comunicado do Copom. No cenário de mercado, as estimativas para o IPCA de 2017 caíram para 4,2% e as projeções para 2018 se mantiveram no centro da meta, de 4,5%.

O economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, revisou a estimativa para a Selic de 9% para 8,5% no fim do ciclo de afrouxamento monetário. Para ele, o Copom deixou a porta aberta para uma queda de 1 ponto percentual na reunião de 11 e 12 de abril. ;Se as expectativas de inflação continuarem a cair, é provável que o ritmo de corte se intensifique;, destacou.

Ritmo

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o cenário econômico permite um corte mais acentuado dos juros. A entidade espera que o ciclo de redução da Selic prossiga em ritmo mais acelerado para que a taxa caia ao patamar de um dígito em poucos meses. A Força Sindical, porém, considerou que a redução de 0,75 ponto percentual foi tímida e frustrante. ;Juro estratosférico é uma forma de concentrar cada vez mais renda nas mãos de banqueiros e especuladores;, disse o presidente da central, Paulo Pereira da Silva.

A decisão do BC levou alguns bancos a anunciarem queda nas taxa cobradas pelos financiamentos. A partir de 1; de março, o Credfácil Veículo, do Bradesco, por exemplo, terá a taxa máxima reduzida de 5,92% para 5,86% ao mês. Na modalidade CDC Outros Bens, a taxa cairá de 5,90% para 5,84%. O Itaú Unibanco informou que reduziu os juros das linhas para pessoas físicas e jurídicas. ;A política monetária vem sendo conduzida de forma a beneficiar o crescimento econômico sustentável num ambiente de baixa inflação;, afirmou Roberto Setúbal, presidente da instituição.

No Banco do Brasil, as principais quedas, de até 0,12 ponto percentual ao mês, ocorrerão em linhas de crédito para capital de giro voltadas a micro e pequenas empresas. O BB também reduzirá as taxas para pessoas físicas, com destaque para financiamento imobiliário, cheque especial e crédito consignado. ;A redução continuada da Taxa Selic contribui para melhorar o ambiente econômico e criar condições objetivas para a retomada do consumo e do crédito por pessoas físicas e jurídicas;, disse o presidente do banco, Paulo Caffarelli.


  • CPI investigará contas da Previdência

    O senador Paulo Paim (PT-RS) conseguiu as 27 assinaturas necessárias para instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que terá 120 dias para investigar a real situação financeira da Previdência Social. A ideia é apurar desvios de verbas, fraudes, sonegações e outros tipos de irregularidades nos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Como o Congresso entrará em recesso, o pedido deve ser enviado ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) logo após o feriado de carnaval, no início de março. A ideia da CPI partiu do presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Warley Martins. ;Vamos provar que não existe deficit na Previdência. Não tem rombo, tem roubo. Muita gente vai parar na cadeia, será pior que a operação lava-jato;, disse Martins.

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