Serra embaralha jogo de partidos na Esplanada

Serra embaralha jogo de partidos na Esplanada

Além de definir quem substituirá Alexandre de Moraes na Justiça, Michel Temer agora terá que escolher o substituto do tucano no Ministério das Relações Exteriores. Senador paulista pediu demissão do cargo por motivo de saúde

» PAULO DE TARSO LYRA
postado em 23/02/2017 00:00
 (foto: Evaristo Sá/AFP - 18/5/16)
(foto: Evaristo Sá/AFP - 18/5/16)


A dois dias do carnaval, o presidente Michel Temer tem mais um desfalque na equipe ministerial. O chanceler José Serra entregou ontem à noite uma carta pedindo exoneração do cargo, alegando problemas de saúde ;de conhecimento do presidente;. Agora, Temer terá de decidir, até o carnaval, quem assumirá o Ministério das Relações Exteriores, no lugar de Serra, e o da Justiça, em substituição a Alexandre de Moraes, aprovado ontem para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal.

Até que decida pelo substituto, assume o cargo interinamente o secretário-geral do MRE, embaixador Marcos Galvão. Não se sabe, ao certo, quanto tempo a interinidade vai durar, já que, na Justiça, José Levy do Amaral está de forma provisória desde 6 de fevereiro, quando Temer decidiu indicar Moraes para o STF. E o presidente tem encontrado muita dificuldade para escolher o sucessor.

A carta de Serra foi entregue perto das 21h. ;Faço-o com tristeza, mas em razão de problemas de saúde que são de conhecimento de Vossa Excelência, os quais me impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler.; Além da questão das viagens, Serra afirmou que seu problema de saúde dificulta os trabalhos no dia a dia. E acrescentou que, segundo os médicos, ;o tempo para restabelecimento adequado é de pelo menos quatro meses;.

O tucano agradeceu ao presidente. Apesar de ser senador pelo PSDB, o partido sempre deixou claro que a escolha de Serra para o Ministério das Relações Exteriores foi uma escolha pessoal do presidente Temer. ;Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe. No Congresso, honrarei meu mandato de senador, trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil;, concluiu o agora ex-ministro.

O Correio apurou que Serra vinha se queixando de dores insuportáveis na coluna, fazendo, inclusive, tratamento em São Paulo. Em uma de suas recentes viagens internacionais, a trabalho, aproveitou para consultar com médicos estrangeiros, o que o fez consolidar a decisão. Ele reclamava constantemente a amigos da dificuldade de fazer viagens longas e participar de solenidades, algo inerente ao cargo.

O pedido de Serra para deixar o posto também traz mudanças importantes no xadrez para 2018. O agora ex-chanceler disputa internamente no PSDB, com o presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG), e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, quem será o candidato ao Planalto para suceder Temer. Além disso, mesmo tendo sido uma escolha pessoal, não se sabe ainda se o PSDB vai pleitear a manutenção da pasta sob o comando da legenda.

Nomes

À questão do MRE soma-se o impasse na Justiça, pasta para a qual Temer não consegue escolher o substituto. O presidente quer um nome técnico, mas a recusa de Carlos Velloso na semana passada embolou tudo e reacendeu a pressão por uma escolha política, vinda com a chancela do PMDB.

A bancada peemedebista na Câmara já aceita se o indicado for o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). Um grupo de juristas, incluindo o procurador Rodrigo Janot, simpatiza com o nome do subchefe da Casa Civil, Gustavo Vale. Os dois têm problemas: Serraglio conta com mais apoio de Temer e de diversas legendas do que entre os próprios correligionários. ;Mas é melhor ter um ministro que não gostamos do que ver a pasta ir para alguém que não é nosso;, confessou um peemedebista.

No caso de Gustavo, pesa contra ele o fato de ter chegado ao cargo por indicação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e de ter sido o responsável por assinar os pedidos à Justiça para censurar os jornais que divulgaram informações sobre a primeira-dama Marcela Temer.

E o PMDB arrumou uma encrenca à toa ontem, com base na declaração dada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco, ao Valor Econômico. Moreira afirmou que o PMDB não fechará questão na votação da reforma da Previdência. Temer ficou irritadíssimo, chamou o presidente nacional do partido, senador Romero Jucá (PMDB-RR), que foi obrigado a divulgar uma nota desmentindo o ministro da Secretaria-Geral. ;Ao contrário (do que foi publicado), o partido tem discutido com a bancada federal da Câmara dos Deputados a possibilidade de fechamento de questão, assim como foi feito na votação da PEC que limita os gastos públicos;, acrescentando que a opinião de Moreira foi pessoal.

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