Que Matheus esteja bem

Que Matheus esteja bem

guilherme goulart guilhermegoulart.df@dabr.com.br
postado em 23/02/2017 00:00
O jornalista luta diariamente pela novidade. Em tempos de internet, ela pode durar um minuto ; ou até menos ;, o que transforma a busca pelo novo em um processo quase obsessivo. Pois, desta vez, irei de encontro a tudo o que aprendemos na faculdade e nas redações na esperança de que este artigo fique velho antes mesmo de chegar às rotativas do Correio Braziliense. A intenção quanto ao envelhecimento precoce da informação tem um motivo especial: a localização do estudante de história da Universidade de Brasília (UnB) Matheus Amorim Lopes, de 20 anos, desaparecido durante uma viagem pela América do Sul.

O jovem não dá notícias à família brasiliense desde 10 de fevereiro. Portanto, lá se vão 12 dias de angústia. No último contato foi feito com a mãe, Rovênia, Matheus disse que estava em San Luis, na Argentina, e se preparava para subir uma montanha. A partir daí, silêncio. Desesperados, os parentes mobilizaram as autoridades, recorreram à imprensa e lançaram campanhas nas redes sociais. O padrasto, que planeja ajudar nas buscas, fez um apelo no Facebook: ;Com o passar do tempo e a falta de informações, não é possível descartar nada. O tempo é inimigo nesses casos. Agradecemos qualquer ajuda, oração ou mesmo pensamento positivo;.

Alguns pontos, porém, se analisados com um pouco de serenidade, levam otimismo a um desfecho feliz para essa história. Além de não ter sido encontrado nenhum corpo com as características do jovem no Instituto Médico Legal da região, no último contato com os familiares, Matheus disse que ficaria incomunicável por alguns dias. Queria meditar ; a região, de fato, é conhecida pelos retiros espirituais e recebeu até um festival de ioga no fim de janeiro ; e se desligar de tudo. Esse tipo de atitude é cada vez mais comum em uma era de informação instantânea e de contato constante e, muitas vezes, cansativo.

Como é prematuro tirar alguma conclusão neste momento, principalmente sob pena de cometer injustiças imperdoáveis, espera-se que Matheus esteja bem e apenas ;desmiolado;, termo usado pelo padrasto no texto publicado no Facebook. Mobilização não falta para que a próxima informação sobre o caso seja a melhor possível. E que as notícias publicadas até aqui sobre o desaparecimento do universitário, inclusive na imprensa argentina, fiquem velhas, empoeiradas e esquecidas. Ninguém fará qualquer objeção.




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