Supremo reconhece racismo

Supremo reconhece racismo

postado em 23/02/2017 00:00
 (foto: Mandel Ngan/AFP - 5/10/16)
(foto: Mandel Ngan/AFP - 5/10/16)



A Suprema Corte dos Estados Unidos deu ontem ganho de causa a um homem negro sentenciado à morte em 1997, pelo assassinato da ex-mulher e do homem com quem ela vivia. Duane Buck, hoje com 53 anos, chegou a ter a execução marcada para setembro de 2011, mas seus advogados conseguiram que a instância máxima da Justiça aceitasse examinar a alegação de que o processo teria sido conduzido sobre bases racistas. Ontem, por seis votos contra dois, o plenário decidiu que o réu ;não foi defendido de maneira eficaz;.

A decisão outorga a ele um ;direito a reparação;, que poderia ser exercido na forma de uma nova apelação contra a sentença. O caso de Buck tornou-se emblemático na Justiça dos Estados Unidos e já tinha sido examinado pela Suprema Corte em outubro de 2016. Os juízes chegaram ontem à conclusão de que, durante o julgamento, ele foi considerado ;potencialmente mais perigoso; por ser negro.

O Texas, estado onde o crime foi cometido, se destaca entre os que exibem maior tendência a condenar e executar negros em quantidade desproporcional à verificada entre os brancos. O mesmo padrão é observado em escala nacional, no Judiciário e no sistema presidiário, e o assunto foi objeto de debate recorrente e acirrado durante os oito anos de governo de Barack Obama, primeiro afro-americano a presidir os EUA.

Duane Buck cometeu o duplo assassinato em meados de 1995. Durante a instrução do processo, um psicólogo forense, identificado nos autos como Walter Quijano, declarou que o acusado ;representava maior risco de reincidência; por ser negro.

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