Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

Filósofo da telinha

por Severino Francisco >> severinofrancisco.df@dabr.com.br
postado em 23/02/2017 00:00
Tanto fiz entrevistas imaginárias, que acabei sendo vítima de uma. Os autores são o subeditor Vinicius Nader, autor do blog de tevê Próximo Capítulo, e o repórter Alexandre de Paula. Sou dramático, teatral e exasperado e, para ampliar o efeito polêmico e cômico das minhas críticas à axé music, à música sertaneja universitária e ao Big Brother Brasil, inventei um personagem. É com esse personagem imaginário que a dupla conversa. No embalo do clima de carnaval, resolvi publicar a suposta entrevista. Vamos a ela.

;Eu sou o filósofo da telinha.; A frase, disparada a seco, vem de Severino Francisco. A provocação: a programação da televisão aberta nos anos 2000, assunto pelo qual o jornalista e pensador se diz fascinado. Severino se diz o pai do BBB, reivindica a paternidade da axé music, autointitula-se ;o filósofo da telinha; e garante que salvou a tevê de uma crise ética. ;Eu salvei nosso maior patrimônio, bebês.;

A que o senhor mais gosta
de assistir na tevê?

A tevê é minha grande companheira e inspiração. Todos meus livros foram escritos com a televisão ligada. Sempre peço para ligarem a da redação para escrever crônicas do Correio. Mas queria mesmo é que elas fossem para a tevê. O Cid Moreira poderia narrar. Já que ele fez isso com a Bíblia, não custa.

O senhor não respondeu: a que gosta de assistir?
Ah, sim! Gosto de ver o Big Brother Brasil. É pura antropologia na tevê. Coisa de gênio. Eu me sinto um pouco pai desse reality. Sei que minhas ideias inspiraram a Globo e, anteriormente, George Orwell. Na verdade, acho que agora posso revelar, Brasil, eu fui o ghost writer do Bial nas 16 edições passadas.

E na tevê fechada?
Gosto do Música ao vivo, do Multishow, principalmente as temporadas com a Anitta. Thiaguinho era bom, mas a Anitta é genial. Ela é capaz de samplear os estilos mais inventivos que a música já viu. Obviamente, o axé e o sertanejo, dos quais também sou um dos pais. Terei um carro alegórico na escola que presta homenagem a Ivete Sangalo. Gosto tanto do Música ao vivo que até fiz um projeto e trouxe para a redação com o nome Prata da Casa, inspirado nele.

Existe alguma manifestação cultural no Brasil mais relevante do que a televisão?
Talvez o axé ou o funk carioca! Imagine um programa juntando os três. Será meu próximo projeto. Adianto em primeira mão: vai se chamar Sai do chão!

O Brasil é um país de vanguarda quando o assunto é televisão?
Sem dúvida. O trabalho que as nossas emissoras fazem é de se aplaudir eternamente. Perto do que fizemos na televisão, a Semana de 1922 e toda a Arte Moderna que veio depois não significam nada. Guimarães Rosa até fez uns trechos muito bonitos de prosa, mas nada capaz de superar os diálogos de Manoel Carlos. Esse sim, o Balzac do Leblon.

Qual é a sua maior contribuição para a tevê brasileira?
Recuperá-la de um exagero de incentivo à alta cultural, à leitura e à escrita, tirá-la de uma crise intelectual, de uma total inversão de valores em que Paulinho da Viola, Noel Rosa e Renato Russo eram considerados mais importantes do que Wesley Safadão! Tive que me dedicar, mas valeu a pena. Agora, está quase tudo no lugar: eu salvei nosso maior patrimônio, bebês!

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