Maior custo, menos benefícios

Maior custo, menos benefícios

Sedã compacto com carroceria antiga tem como principal atrativo o bom espaço interno, mas o motor 1.0 com quatro cilindros não é dos melhores e o preço é salgado. Confira

Enio Greco Especial para o Correio
postado em 23/02/2017 00:00
 (foto: Chevrolet/Divulgação)
(foto: Chevrolet/Divulgação)

Já virou moda no Brasil. As montadoras lançam uma nova linha de um determinado modelo, mas dão continuidade à produção da geração anterior, com a carroceria antiga e conteúdo mais simples. Era para ser uma boa ideia, caso o preço fosse convidativo. Mas isso nem sempre acontece. A General Motors, por exemplo, lançou o novo Prisma com motor 1.4, mas manteve o antigo com 1.0 de quatro cilindros, que foi recalibrado. A diferença de preço entre os dois é significativa, de quase R$ 10 mil, mas o conteúdo também é outro. Confira os pontos positivos e negativos do Chevrolet Prisma Joy 1.0.


O sedã da GM concorre com uma turma da pesada, alguns com motores mais modernos, 1.0 de três cilindros, como o caso do Renault Logan Authentique, R$ 46.300; Volkswagen Voyage Trendline, R$ 45.350; e Hyundai HB20 Comfort Plus, R$ 50.065. Mas tem ainda o Fiat Grand Siena Attractive, equipado com o velho Fire 1.0 quatro cilindros, R$ 43.590. O Prisma Joy tem preço de R$ 44.490, com pintura metálica, seu único opcional, chega a R$ 45.890. O velho motor 1.0 da GM tem potência máxima de 80cv com etanol e perde para Logan e Voyage, ambos com 82cv.

Visual


Comparado com os concorrentes, o Prisma Joy é o que tem o visual mais ultrapassado, com linhas não muito modernas. Bem diferente da nova geração. A versão não tem farol de neblina, as maçanetas de plástico são separadas da fechadura e a traseira tem lanternas grandes. Um dos atrativos desse sedã compacto é seu amplo porta-malas, com capacidade de 500 litros, que acomoda fácil a bagagem da família. Poderia ser melhor ainda se a tampa não tivesse as alças tipo pescoço de ganso, que roubam espaço, e fosse revestida internamente.


Por dentro o sedã também é espaçoso, tanto na frente quanto atrás, onde o túnel do assoalho é mais baixo. Porém, ali só existem dois encostos de cabeça e o cinto de segurança central é subabdominal. Os vidros traseiros não têm comandos elétricos, são movidos a manivela. O encosto do banco traseiro é inteiriço, impossibilitando diferentes configurações para o transporte de bagagens. E a visibilidade traseira é ruim, limitada. Os bancos dianteiros e o volante não têm ajuste de altura, portanto o motorista tem que ter a sorte de encontrar uma boa posição para dirigir. O puxador da porta do motorista e os comandos dos vidros estão mal posicionados, recuados.


O acabamento interno do Prisma Joy segue o padrão da concorrência, com muito plástico duro por todos os lados, mas ele tem materiais de texturas diferentes. O painel tem desenho simples, com central multimídia pobre e de conexão complicada. Mas, se servir de consolo, tem TV. Tem também a versão básica do OnStar, com contato direto com a Central de Relacionamento Chevrolet e localização e diagnóstico do veículo. Os instrumentos são os tradicionais velocímetro, conta-giros, hodômetro e relógio, mas não tem computador de bordo. Tudo muito simples, o que deveria justificar um preço bem mais baixo.

Desempenho
O motor 1.0 é o quatro cilindros antigo, que foi recalibrado para apresentar números de desempenho e consumo melhores. A GM vai na contramão da história e por enquanto não apostou no motor três cilindros. Na prática, o 1.0 do Prisma Joy mostra-se fraco em baixas rotações. É preciso ultrapassar as 3.000rpm para ele apresentar respostas melhores. Com peso e ar-condicionado ligado, ele perde em desempenho e apresenta consumo apenas razoável. Depois de embalado, o sedã até anda bem, mas o câmbio manual de seis marchas não tem engates muito precisos, atrapalhando um pouco a dirigibilidade. Entretanto as relações de marchas foram bem escalonadas.


O Prisma Joy é um sedã fácil de manobrar, com bom diâmetro de giro, e suspensões que privilegiam a boa estabilidade. Porém, é um carro mais duro, transferindo bem as irregularidades do solo para o interior, causando certo desconforto. Os freios, apesar dos tambores nas rodas traseiras, atuaram de forma eficiente. Em resumo, o Prisma Joy tem cara antiga e conjunto mecânico com algumas modificações. Tem o espaço interno como seu principal atrativo e perde pontos diante da concorrência pelo conteúdo e desempenho. Se tivesse preço menor talvez teria maior poder de convencimento.

Ficha técnica

Motor: Dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, flex, que desenvolve potências máximas de 78cv com gasolina e 80cv com etanol a 6.400rpm, com torques máximos de 9,5/9,8kgfm a 5.200rpm

Transmissão: Tração dianteira com câmbio manual de seis marchas

Direção: Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica progressiva

Suspensões/Rodas/Pneus: Dianteira tipo McPherson, sem barra estabilizadora; traseira, semi-independente, com barra de torção/ 5 x 14 polegadas de aço/185/70 R14

Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS

Dimensões: Comprimento, 4,27m; largura, 1,70; altura, 1,47m; entre-eixos, 2,52m

Capacidades: Tanque de combustível, 56 litros; porta-malas, 500 litros; capacidade de carga, 375 quilos; e peso, 1.028 quilos.

Consumo Inmetro: Cidade: 12,9km/l com gasolina e 8,7km/l com etanol; Estrada: 15,6km/l com gasolina e 10,9km/l com etanol

Concorrentes Prisma Joy

Volkswagen Voyage
Motor: 1.0
Potência máxima: 82cv (e) e 75cv (g)
Torque máximo: 10,4kgfm (e) e 9,7kgfm (g)
Direção: mecânica
Combustível: etanol/gasolina
Transmissão: manual de 5 velocidades
Peso: 974kg
Porta-malas: 480 litros
Tamanho (A x L x C): 1.462 x 1.656 x 4.215mm
Preço: a partir de R$ 45,3 mil

Renault Logan
Motor: 1.0
Potência máxima: 82cv (e) e 79cv (g)
Torque máximo: 10,5kgfm (e) e 10,2kgfm (g)
Direção: eletro-hidráulica
Combustível: etanol/gasolina
Transmissão: manual de 5 velocidades
Peso: 1.019kg
Porta-malas: 510 litros
Tamanho (A x L x C): 1.529 x 1.733 x 4.349mm
Preço: a partir de R$ 46,3 mil

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