Três perguntas para

Três perguntas para

postado em 27/02/2017 00:00
Ernesto Samper Pizano, ex-presidente da Colômbia e secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas

Como o senhor vê a preparação da desmobilização das Farc nas 26 zonas transitórias?
Ocorreram tropeços burocráticos que são normais nesses tipos de processos tão complexos, mas tanto as Farc, quanto o governo declararam que, apesar dessas dificuldades, mantêm a agenda de desmobilização, o que é importante.

Em carta ao governo e às Farc, a missão da ONU alegou que não haverá segurança para coletar as armas enquanto os acampamentos não estiverem prontos. Como vê isso?
A ONU tem o dever de garantir que a deposição de armas, como parte do processo acordado em Havana de desescalada militar, seja feita de forma segura e transparente para as duas partes. Se o governo e as Farc afirmam que o processo ;não está pronto;, temos que crer neles e buscar o que falta para que o acordo se cumpra.

O governo foi incapaz de cumprir com as exigências para a desmobilização até agora?
Creio que o governo se viu inundado por compromissos, especialmente de ordem logística, os quais não pode cumprir. Principalmente no que tem relação com a dotação dos acampamentos de verificação. Mas penso que os não cumprimentos possíveis e graves têm que ver mais com temas políticos, como a execução da lei de anistia, que vai demasiado lenta e sem a qual os guerrilheiros não poderiam se desmobilizar completamente. Outros temas devem ser esclarecidos, como o ponto da substituição social e não forçosa de cultivos ilícitos ou a perigosa presença nas áreas deixadas pelas Farc por grupos paramilitares. (RC)

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