Eixão dominado pelo carnaval

Eixão dominado pelo carnaval

Os blocos Raparigueiros e Baratona levaram milhares de pessoas à Asa Sul. A via ficou completamente tomada, em uma festa eclética: teve samba, funk, reggae, rap e rock. A folia, no entanto, teve registros de violência. Além de roubos e furtos, um adolescente foi esfaqueado

» PAULA PIRES » RENATO SOUZA » FERNANDO CAIXETA ESPECIAIS PARA O CORREIO
postado em 27/02/2017 00:00
 (foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)



Uma multidão tomou o Eixão para pular o carnaval nos blocos Baratona e Raparigueiros ontem. A folia começou à tarde, quando os grupos se concentraram na altura da 110/210 Sul e na 108/208 Sul, respectivamente. A farra entrou pela noite, quando todos se uniram para, juntos, celebrar a festa de Momo. Não era possível enxergar onde acabava o mar de gente. De acordo com os organizadores, aproximadamente 300 mil pessoas participaram. A estimativa da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, divulgada às 22h, era de 180 mil foliões.

As mais diferentes fantasias e adereços desfilaram no Baratona, que completa 39 anos este ano e é considerado um dos mais tradicionais da cidade. A concentração foi no Eixão Sul, e foliões seguiram na via, em direção à Esplanada dos Ministérios. O trio elétrico começou a tocar um pouco antes das 17h. Criado em 1978, pelo pernambucano Luiz Lima, o bloco contou com a presença de jovens que dançaram ao som de rap, funk, reggae e samba. O ápice foi quando a música Deu onda, do MC G15, tocou. Bateria e passistas da escola União da Vila Planalto e Lago Sul animaram os foliões ao som de samba e de funk.

Amante do carnaval, o estudante de administração Robson Douglas Ferreira Pinheiro, 25 anos, veio do Sol Nascente, em Ceilândia, para brincar no Baratona. Ele mesmo customizou a fantasia. ;Cortei a camiseta e coloquei as orelhinhas de coelho para participar dessa farra. Só espero uma festa mais alegre e menos homofóbica. O preconceito está ultrapassado. Cada um tem que ser feliz do seu jeito;, opinou. Michele Ferreira, 25, veio de Sobradinho para curtir a folia, vestida de gatinha. ;Só quero me divertir ao som de muito funk, rap e rock;roll;, disse. Outro folião, Caio Gotteliub, 23, estudante de odontologia, fantasiou-se de coelhinho. ;É a terceira vez que venho para o bloco. É simplesmente maravilhoso.;

Caracterizado de índio, Douglas Freitas, 17, morador de Taguatinga, foi curtir o carnaval do bloco. ;Estou feliz por participar, pela quarta vez consecutiva, dessa magnífica festa popular, que mistura diversas raças e crenças;, relatou. Acompanhando o amigo, com a mesma fantasia, Stephanie Laet, 16, do Riacho Fundo, contou que frequenta o Baratona há três anos. ;É bom pular carnaval, pois reúne muita gente que quer somente comemorar a alegria;, divertiu-se. Os brasilienses que não puderam aproveitar a festa neste domingo, poderão curtir o Baratona na próxima terça-feira, quando o grupo Marafreboi fará uma apresentação, às 16h, no mesmo local.





Mistura que dá certo

Além das tradicionais marchinhas e sambas que movem multidões atrás dos trios elétricos, quem foi até o bloco Raparigueiros pôde se divertir ao som de rap e rock. Faroeste caboclo, da Legião Urbana, foi um dos pontos mais animados do dia, com a multidão cantando o ritmo que marcou Brasília nos anos 1980. Outra música que agitou o público foi o hit Olha o Gás, do MC Vitão.

No 25; ano de realização, o Raparigueiros atraiu pessoas de todas as regiões de Brasília. A todo momento chegavam ônibus vindos de outras regiões do Plano Piloto e das demais cidades do DF. O metrô operou com os trens lotados na parte da tarde, por passageiros que foram passar o domingo de carnaval no bloco.

Logo no começo do evento uma chuva moderada começou a cair, mas se molhar um pouco não foi problema para quem passou semanas se programando com amigos para passar o carnaval em grande estilo. Esse foi o caso da jovem Ruth Garcia, 19, que saiu com as amigas para correr atrás do trio. ;Eu frequento o bloco há dois anos e adoro o carnaval de rua de Brasília;, destaca Ruth. A amigam Jordana Furtado, 19, se mudou de Goiânia para o DF e ainda não conhecia o carnaval da capital federal. ;Faz pouco tempo que cheguei aqui a Brasília. É a primeira vez que venho no carnaval daqui, mas é muito legal, estou curtindo bastante;, completou.

O Raparigueiros surgiu na Candangolândia, em 1992, ano em que apenas 25 pessoas participaram. O presidente do bloco, Wellinton de Santana, 42, destaca que o número de foliões aumentou de forma impressionante. ;O bloco surgiu com a ideia de reunir amigos para pular carnaval. Eu não imaginava que pudesse tomar essa proporção toda. Hoje, nós conseguimos atingir um público que supera 100 mil pessoas;, afirma.

Fiscalização

Dezenas de pessoas estacionaram no gramado central do Eixão durante a concentração dos blocos, e a Polícia Militar multou os veículos que estavam em locais onde é proibido estacionar. Motoristas que passavam pelo local sem o uso do cinto de segurança também foram autuados. A reportagem do Correio flagrou ao menos quatro brigas entre os frequentadores do bloco, mas sem pessoas feridas.

A Secretaria de Segurança registrou furtos, roubos e casos de lesão corporal ao longo do dia. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, um adolescente de 17 anos foi esfaqueado na altura da Quadra 108 Sul durante a festa. Ele foi encaminhado, consciente, ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Até o fechamento desta edição, não havia informações sobre o estado de saúde da vítma.

Colaborou Thiago Soares

Só espero uma festa maisalegre e menos homofóbica. O preconceito
está ultrapassado. Cada um tem que ser feliz do seu jeito;
Robson Douglas Ferreira, morador do Sol Nascente

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