Chuva de irreverência

Chuva de irreverência

Ao som de marchinhas - inclusive as politicamente incorretas-, o Pacotão manteve a tradição e usou o humor para satirizar a política

» Irlam Rocha Lima
postado em 27/02/2017 00:00
 (foto:  Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)



O Pacotão também é pé quente. No ano em que canta Banho tcheco, criticando a crise hídrica que assola o Distrito Federal, o mais tradicional bloco do carnaval brasiliense desfilou sua irreverência sob chuva intermitente. Mesmo molhados, os foliões deixaram a 302 Norte, às16h30, com destino à Avenida W3 Norte na maior animação, embalados pela Banda Podre, sob a batuta do mestre Cristiano Maceió.

Antes, houve um aquecimento promovido pelo grupo Medida Provisória, que tocava na marquise da loja Café com Café. Já no interior da churrascaria Picanhas do Sul, podia ser apreciada uma exposição de fotos históricas do Pacotão, assinadas por Irone Queiróz, que marca presença no bloco desde o primeiro desfile.

O Pacotão arrastou algo em torno de 2,5 mil pessoas de idades variadas ; sempre pela contramão na largada ; até a W3 Sul. Boa parte delas usavam fantasias. Não faltaram faixas com dizeres que evocam situações momentâneas vividas pelo país, como: ;Facção por facção, o melhor é o Pacotão;; ;Golpe não derruba ladrão, mas avião;; e ;Tcheco, tcheco, tcheco, banho de bacia/ Tcheco, tcheco, tcheco, falta água todo dia;.

No decorrer do desfile, Banho tcheco foi ouvida várias vezes, mas, no repertório da Banda Podre, predominaram marchinhas clássicas como As águas vão rolar, Mamãe eu quero mamar e As Pastorinhas. E até as que passaram a ser consideradas politicamente incorretas, Cabeleireira do Zezé, Maria Sapatão e O teu cabelo não nega.

Criatividade

A crítica à crise hídrica recebeu a aprovação dos foliões. Fantasiado de comandante do navio que faz o cruzeiro com Roberto Carlos, o cantor Amâncio da Silva, cover do Rei, disse ser pertinente a abordagem. O artista plástico Jeová Araújo, que se vestiu de ;anjo-demônio;, também aprovou. ;Tem tudo a ver com a proposta satírica do Pacotão;.

Outras fantasias que chamaram atenção foram as de Malévola, da administradora Luciana Brant, que estava acompanhada pela filha, afilhada e amigas. A produção da policial rodoviária Lídia de Matos, com farda semelhante à da corporação, e a de Zé Palito, da designer Rita Venturim, inspirada ;em políticos corruptos, que afloram no Brasil;, também chamaram a atenção. Todos eles são foliões do Pacotão de muitos carnavais. Amanhã, o bloco está de volta à avenida.

Banho tcheco
(Antônio Jorge Salles/ Antônio Carlos Salles/ Thayane Salles/ Hadaffa Dolbeth)

Passou-se tanto tempo/
Nossa barragem tinha água até demais/
Por falta de investimento/
O Rollemberg corta água/
E agora faz tcheco, tcheco, tcheco/
É banho de bacia/
Falta água noite e dia/
Tcheco, tcheco, tcheco/
O Pacotão vai falar/
A falta de gestão/
Faz o DF afundar.

Escolha os melhores
O Correio Braziliense elegerá, com o patrocínio no Big Box, os melhores blocos de Brasília. Este ano, 77 agremiações participam da segunda edição do concurso. Até as 18h da Quarta-feira de Cinzas, os leitores podem escolher as agremiações de sua preferência pelo site do Correio (www.correiobraziliese.com.br). No ano passado, os vencedores foram Galinho de Brasília, Baratona e Suvaco da Asa, segundo votação de internautas. E o Babydoll de Nylon ficou com um prêmio especial concedido por comissão formada por integrantes do jornal. Além da música, a infraestrutura e a segurança são critérios importantes para um carnaval divertido. Confira o regulamento completo do concurso no site.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação