Mercado já aceita alta de impostos

Mercado já aceita alta de impostos

» RODOLFO COSTA
postado em 28/03/2017 00:00

Dificilmente o governo deixará de elevar a carga tributária para assegurar o cumprimento da meta de conter o deficit fiscal a R$ 139 bilhões em 2017. Isso porque, como o Correio mostrou ontem, se nada for feito, o rombo pode chegar a R$ 227,2 bilhões, segundo cálculos de técnicos do governo. O economista-chefe e diretor de fundos da INVX Global Partners, Eduardo Velho, espera um aumento no PIS/Cofins, medidas para reduzir as desonerações da folha de pagamento em determinados setores produtivos e alguma correção da tabela do Imposto de Renda para aliviar os assalariados. ;Vão fazer um mix para não impactar muito o consumidor;, disse.

A consultoria de risco político Eurasia avalia que, com o aumento do PIS/Cofins e a reoneração da folha, o governo arrecadará R$ 20 bilhões. O valor, no entanto, representa apenas 22,7% dos R$ 88 bilhões estimados pelos técnicos para alcançar a meta fiscal. Pelo lado do corte de gastos, o governo pode enfrentar dificuldades, já que mais de 80% do orçamento é rígido.

Nas despesas discricionárias, que podem ser alvo de reduções, ;muito do que era possível já foi feito;, de acordo com relatório da consultoria. Para a Eurasia, o governo será cauteloso ao aumentar impostos, pois há incertezas sobre algumas fontes de receitas, incluindo as do segundo programa de repatriação, além daquelas que dependem de decisões judiciais.

Alguns economistas consideram que os agentes econômicos podem dar o voto de confiança ao governo se a equipe econômica apresentar as informações de forma transparente, mesmo que mude a meta fiscal. ;O mercado sabe que o Brasil precisa de reformas estruturais para cumprir a meta. O espaço para corte de gastos é limitado. Mesmo que pare tudo, não se conseguirá reverter o deficit;, ponderou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. ;A curto prazo, não tem jeito. Se tivesse solução, não estaríamos fazendo reformas.;

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