Palavra do especialista

Palavra do especialista

postado em 28/03/2017 00:00
;Desde que se começou a estudar o zika, sem dúvida este é o trabalho mais completo, em termos de descrição dos achados, tanto externos quando anatomicopatológicos e microscópicos. Em qualquer doença que a gente trata, o primeiro passo para encontrar um tratamento foi entender aquela doença detalhadamente. Trabalhos anteriores fizeram descrições, mas com menos pacientes. Esse caracteriza a doença em vários pacientes e em diversos órgãos, correlacionando-a com a idade gestacional. A principal contribuição dele é, além do detalhamento da doença, evidenciar as ações diferentes do zika, dependendo do período de infecção.

Quando começou a epidemia, o consenso era que a infecção materna só trazia risco quando ocorria no primeiro trimestre. Depois, outros estudos mostraram que, mesmo mais tarde, o vírus era capaz de provocar destruição. Agora, esse estudo mostra, em um número grande de pacientes, que, na infecção precoce, o vírus infecta o cérebro muito imaturo e impede a formação cerebral. Já nas gestações mais avançadas, a ação é diferente. O que ocorre é uma inflamação nas meninges, que leva à destruição do sistema nervoso e destrói aquele cérebro que estava formado. Creio que vai demorar muitos meses, se não anos, para alguém conseguir juntar tantos casos, com um nível de detalhamento tão grande e ilustrações das alterações com tanta qualidade.;

Felipe d;Almeida Costa,
patologista do HC Camargo e secretário geral da Sociedade Brasileira de Patologia

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