Pulsação sonora

Pulsação sonora

Nomes como The Weeknd e Bruno Mars levantam a bandeira do R contemporâneo, fazendo um som moderno sem esquecer de antigas referências

Adriana Izel
postado em 28/03/2017 00:00
 (foto: Lollapalooza/Divulgação)
(foto: Lollapalooza/Divulgação)







No fim dos anos 1940, a revista Billboard passou a classificar os gêneros derivados do blues e do jazz como rhythm and blues (ritmo e blues, em tradução livre), que ficou mais conhecido pela sigla R. A vertente deu origem e ajudou a desenvolver diversos outros estilos musicais nos anos 1960, como o

rock and roll. Nos anos 1990, ganhou um subgênero, o R contemporâneo, com referências do hip-hop, funk e soul music, que, até hoje, é usado por artistas da música pop.

O principal representante do R contemporâneo atualmente é o canadense The Weeknd. Filho de etíopes, o cantor, de 27 anos, adotou o estilo musical desde o início da carreira, em 2010, inspirado nos gêneros que cresceu ouvindo, como rap, funk, soul, rock e próprio R, na figura de Michael Jackson. O grande diferencial do artista é trazer um ar mais obscuro à vertente.

;Ele está mudando a cara do R. The Weeknd é diferente dos outros artistas do gênero, que apostam em sensualizar com artifícios sexuais. Ele tende a ver o amor como um sentimento mais obscuro, sincero, lascivo, frequentemente profano, mas, acima de tudo, honesto. O R durante muito tempo foi sobre dizer o que o sexo oposto queria ouvir. The Weeknd simplesmente diz como ele mesmo vê (a situação);, analisa o crítico de música Jason Bracelin, em artigo publicado no Review Journal.

Não é que The Weeknd abandone a sensualidade presente no gênero, mas ele a mescla com letras fortes, melodias envolventes, batidas eletrônicas e até uma certa influência do rock. Foi exatamente isso que ele mostrou ao público brasileiro no início da noite de domingo, no festival Lollapalooza, em São Paulo.

The Weeknd fez o melhor show do evento e provou que sabe dominar a combinação entre R sombrio, sensual e suingado, apesar de o artista deixar as danças de lado para adotar um ar mais roqueiro no palco, correndo de um lado para o outro, pulando e gritando.

Na apresentação, The Weeknd desfilou os principais sucessos do mais novo álbum, Starboy (2016), que tem canções como a própria faixa título ; gravada em parceria com Daft Punk ; False alarm, Ordinary life e I feel It coming ; que prova que The Weeknd, de fato, pode ser o sucessor de Michael Jackson no R.

Starboy é o álbum de maior sucesso do canadense, pelo menos nas plataformas digitais. No Spotify, o material bateu o recorde de Justin Bieber com Purpose, conquistando mais de 36 milhões de reproduções em apenas 24 horas.

Aposta na nostalgia
Se The Weeknd apresenta ao R contemporâneo uma modernidade ao trazer novidades ao gênero, o cantor havaiano Bruno Mars preferiu, em seu mais recente trabalho, se voltar para o estilo musical característico dos anos 1980 e 1990. Por isso, 24k magic (2016) parece ter sido lançado há mais de 20 anos e não no ano passado, como realmente aconteceu.

;Mars é um discípulo do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, colocando em suas músicas influências do funk e do R daquele época. Especialmente em 24k magic, que é álbum tão retrô para os dias atuais de linhas de sintetizadores e batidas eletrônicas;, afirma o crítico Jason Bracelin.

Em 24k magic, o cantor e compositor deixou os hits extremamente pops e melódicos da carreira de lado, a exemplo de Just the way you are e When I was your man, para fazer um tributo ao R, que está presente em todas as nove faixas do álbum. Processo esse que Mars já havia começado com canções como Treasure, do disco Unorthodox jukebox (2012), e Uptown funk, parceria no projeto de Mark Ronson em 2014.




Outros artistas



Drake

Os trabalhos do cantor canadense refletem o universo do R com referências à dancehall, ao pop e, principalmente, ao rap. Nos últimos dias, o artista chamou atenção ao lançar More life, que ganhou nome de playlist em vez de disco. O motivo é que não é um trabalho uniforme, com ares de coletânea. O material foi mais celebrado que Views, considerado um fracasso apesar de hits, como One dance e Hotline bling, e bateu recorde de reproduções em streaming, com mais de 90 milhões de audições em 24 horas na Apple Music.



Alicia Keys
A cantora é considerada a irmã mais velha da geração do alt R (um dos muitos subgêneros do ritmo), que tem Stevie Wonder e Marvin Gaye como pais. O motivo é que os trabalhos da norte-americana têm batidas dos anos 1990 mesmo que mescladas com uma pegada pop. Em Here, álbum de 2016, a cantora retorna às origens que foram deixadas um pouco de lado em Girl on fire, um disco bastante comercial. O resultado foi um material mais urbano e focado no R contemporâneo, além de ter um discurso empoderador, que tem sido adotado pela artista.




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