População toca fogo no Senado

População toca fogo no Senado

postado em 01/04/2017 00:00



Manifestantes invadiram, na noite de ontem, o Senado do Paraguai e atearam fogo ao andar térreo do edifício, ao fim de um dia de manifestações e confrontos motivados pela aprovação de uma emenda que permitirá ao presidente Horacio Cartes disputar a reeleição. A emenda, que recebeu o voto favorável de 25 dos 45 senadores ; sob protestos da oposição ;, deve ser examinada hoje pela Câmara dos Deputados e ratificada pela maioria governista.

Os senadores não votaram no plenário do Senado, mas em um gabinete do Congresso, diante da resistência de legisladores da oposição contra a medida. A emenda, denunciada como um ;golpe parlamentar; foi apoiada, no entanto, pela facção opositora ligada ao ex-presidente esquerdista Fernando Lugo ; que deixou o poder após sofrer impeachment. Após ser confirmada pela Câmara, a emenda será submetida dentro de três meses a referendo popular, convocado pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral.

A aprovação no Senado deu origem a violentos confrontos entre manifestantes opositores e a polícia de choque, com saldo de ao menos 12 feridos, a maioria por balas de borracha e golpes de cassetete. O presidente do Senado, Roberto Acevedo, o presidente do Partido Liberal, Efrain Alegre, e o deputado Edgar Ortíz, também liberal, foram feridos durante os incidentes, denunciou o senador opositor Luis Wagner.

Acevedo e o primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Petta, além de outros legisladores da oposição, ocuparam o plenário para impedir a votação, que foi concluída em um gabinete. Na véspera, o presidente do Senado tinha denunciado os governistas na Corte Suprema de Justiça, por abuso de função e atentado à ordem constitucional. ;Queremos que o plenário da Corte declare inconstitucional esse procedimento ilegal;, exigiu Acevedo.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Velázquez, admitiu ter recebido o projeto e informou que o texto será levado hoje à votação no plenário. Cartes conta com maioria folgada entre os 80 deputados.

;Queremos que o povo decida se quer ou não a reeleição, e não será uma minoria (parlamentar) que impedirá isso;, disse a senadora Lilian Samaniego, presidente do Partido Colorado (governista). O senador Carlos Filizzola, ligado ao ex-presidente Lugo, disse que a oposição liderada por Acevedo não permitiu a votação no plenário, o que obrigou os legisladores a votar a emenda em outra sala. ;A sessão de hoje, com 25 senadores, ocorreu como estabelecem o regimento interno e a Constituição Nacional;, destacou Filizzola.

Senadores contrários à reeleição, porém, classificaram a votação de ;golpe parlamentar;. ;É um projeto ditatorial de Horacio Cartes, com a cumplicidade de Fernando Lugo, coautor desse projeto autoritário;, protestou o senador Carlos Amarilla.

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