Tráfico sofre derrota ao usar Brasília como rota

Tráfico sofre derrota ao usar Brasília como rota

Apreensões de grandes quantidades de entorpecentes comprovam que traficantes nacionais e internacionais usam as vias que cortam a capital para distribuí-los no país. A maioria dos flagrantes é de maconha

» GABRIELA BERTONI » ANA VIRIATO Especiais para o Correio » THIAGO SOARES
postado em 01/04/2017 00:00
 (foto: PMDF/Divulgação)
(foto: PMDF/Divulgação)

Flagrantes e apreensões de drogas realizados recentemente confirmam que Brasília segue como rota de grandes traficantes. Ontem, a Polícia Militar, com apoio da Polícia Federal, prendeu uma quadrilha na BR-060, na divisa entre Goiás e Mato Grosso, que transportava uma tonelada de maconha. Na quinta-feira, durante a Operação Manicaca, a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) da Polícia Civil prendeu o estudante de aviação civil André Luís de Oliveira, 25 anos, com 1kg de skank, tipo mais potente de maconha, dois microsselos de LSD, anabolizantes, seringas e 12 projéteis de armas de fogo.

Os números confirmam o atrativo da capital para o tráfico. No ano passado, foram recolhidos 3.912kg de maconha no DF. O total é 67% maior do que as apreensões feitas em 2015, com 2.336kg da substância. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social, houve também, em 2016, aumento de 164% na apreensão de lança-perfume. Em 2015, foram 311 frascos (100ml), contra 820 no ano passado. Segundo o órgão, as polícias Militar e Civil retiraram das ruas 105kg de cocaína, 141kg de crack, 44kg de haxixe, além de 150 comprimidos de ecstasy e 2.432 microsselos de LSD. As forças de segurança apontam maior quantidade de tráfico em locais com maior circulação de pessoas, como Plano Piloto, Ceilândia e Taguatinga.

Os planos da quadrilha surpreendida na BR-060 eram justamente distribuir a tonelada de maconha para duas dessas regiões apontadas como campeãs de tráfico. Além de Taguatinga e Ceilândia, o grupo pretendia vender a substâncias em Águas Claras, no Recanto das Emas e no Riacho Fundo. Ela vinha do Paraguai e foi entregue a traficantes de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

A Polícia Militar do DF descobriu a chegada do carregamento pela rodovia que corta o DF e passou as informações para a Polícia Federal, que acionou a Polícia Militar de Goiás. Na Renault Duster usada pela quadrilha para transportar a maconha, havia dois homens. Outros dois integrantes acompanhavam a dupla como batedores do veículo principal. Todos os envolvidos foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o registro do flagrante. Duas pessoas foram presas e outras duas responderão em liberdade. Elas foram autuadas por tráfico internacional de drogas.

Inteligência
Até fevereiro deste ano, a Polícia Militar apreendeu 171,7kg de maconha, 19,6kg de cocaína e 96kg de crack. A maior quantidade recolhida do primeiro entorpecente é vista como preocupante pelo especialista em segurança pública George Felipe Dantas. ;A maconha pode ser vista com um indicativo futuro para o uso de outras substâncias, como cocaína, base ou pasta. A maioria dos usuários de crack consumiu maconha;, destaca. Segundo o especialista, a característica de Brasília pode ser um atrativo para os traficantes. ;Em termos socioeconômicos, o mercado é bem alto. Aqui, há um grande consumo da classe alta.;

Por meio da assessoria de Comunicação, a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social informou que o aumento no número de apreensões é resultado das abordagens policiais e do trabalho das ações de inteligência e de investigação, ;que têm dificultado a entrada de grandes quantidades de drogas no DF;. Ainda segundo o órgão, as abordagens são feitas, em maior parte, nas vias de acesso às regiões administrativas mais próximas do Entorno. ;A Coordenação de Repressão às Drogas da Polícia Civil investiga a rota e a logística do tráfico para o DF, em parceria com as forças de inteligência e segurança de outros estados da Federação, além das polícias Federal e Rodoviária Federal;, detalhou o órgão em nota.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação