Falta de chuva faz conta de energia ficar mais cara

Falta de chuva faz conta de energia ficar mais cara

Aneel determinou que bandeira tarifária será vermelha em abril, com cobrança extra de R$ 3 por cada 100 quilowatts-hora consumidos

postado em 01/04/2017 00:00
 (foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 22/2/13)
(foto: Bruno Peres/CB/D.A Press - 22/2/13)


As contas de luz em abril terão bandeira vermelha, com cobrança extra para todos os consumidores do país. A medida, anunciada ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), indica que a energia está mais cara, com mais geração termelétrica. A sinalização será aplicada no primeiro patamar, o que representa acréscimo de R$ 3 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

O Correio antecipou a probabilidade de bandeira vermelha em matéria sobre os custos da energia, publicada domingo passado. O sistema de bandeiras é atualizado mensalmente pela Aneel, que avalia a situação dos reservatórios em todo o país para tomar uma decisão. As chuvas ficaram abaixo das expectativas e da média histórica entre novembro e março, considerado o período úmido, o que levou à necessidade de acionar mais termelétricas para geração de energia.

Na avaliação da agência, a situação se agravou. A preocupação é poupar água nos reservatórios, ainda em níveis críticos, para garantir que não haja escassez no período seco, que começa em maio. Conforme o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a expectativa é de que as chuvas em abril atinjam apenas 68% da média histórica na região das hidrelétricas do Sudeste, que concentra a maior parte dos reservatórios.

Com pouca chuva, as usinas não conseguem recuperar o nível de armazenamento em seus lagos. Para economizar a água, é preciso gerar energia de usinas termelétricas, a mais cara do mercado. De acordo com estimativa da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a menor geração hídrica deve gerar um impacto financeiro de R$ 20,9 bilhões no mercado por conta da necessidade de compra de energia mais cara.

Em abril, especificamente, os consumidores terão um alívio pontual para compensar essa elevação. Com a devolução da cobrança indevida pela energia de reserva de Angra 3, anunciada pela Aneel, haverá uma redução de 5,92% na fatura deste mês no Distrito Federal, que vai reduzir o impacto da mudança para bandeira vermelha.

Termelétricas

Apesar de ter sido mantida durante todo o ano de 2015 e janeiro e fevereiro de 2016, há 13 meses a bandeira vermelha não era acionada. Desde março do ano passado, as contas mensais oscilaram entre as bandeiras verde, sem cobrança adicional, e amarela, com custo extra de R$ 2 por cada 100 kWh consumidos.

A bandeira vermelha possui dois patamares de cobrança. Quando o custo das termelétricas ligadas supera R$ 422,56 por megawatt-hora (MWh), a Aneel utiliza o primeiro patamar da bandeira vermelha, que adiciona R$ 3 a cada 100 kWh consumidos. Se o valor da energia das térmicas acionadas for superior a R$ 610,00 por MWh, o sistema atinge o segundo patamar, cujo acréscimo é de R$ 3,50 a cada 100 kWh.

Em março, esse custo ficou entre R$ 211,28 e R$ 422,56 por MWh, nível em que é aplicada a bandeira amarela. De dezembro a fevereiro, havia vigorado a bandeira verde, sem nenhuma cobrança adicional na conta de luz, porque o custo das térmicas acionadas ficou abaixo de R$ 211,28 por MWh.

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