Dos políticos aos partidos

Dos políticos aos partidos

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA
postado em 01/04/2017 00:00

Encalacrados na lista que Janot enviou ao STF com pedidos de investigação, políticos de quase todas as legendas tramam legislar em causa própria para escapar de uma temida condenação. Um dos mecanismos em discussão é a descabida e imoral aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita para o caixa dois. Mas, mesmo travestida de ato legal do Legislativo, a medida deve resultar inócua. Foi o que, aliás, já alertou o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo. ;Caixa dois e corrupção podem, de fato, ser diferentes;, observou. ;Mas ambos são crimes.; O que deve variar é o tipo do delito e a gravidade da pena a que estarão sujeitos os réus eventualmente condenados.


Está claro, para quem acompanha com atenção os desdobramentos da Lava-Jato, que os crimes cometidos são vários. Envolve desde formação de quadrilha para assalto aos cofres públicos e se perpetuar no poder até o ousado gesto de usar a própria Justiça Eleitoral como lavanderia do dinheiro roubado. Sem contar no enriquecimento ilícito das, até então, almas mais honestas do país. E, ainda, daquelas nem tão santas assim. A sentença do juiz Sérgio Moro determinando 15 anos e quatro meses de reclusão para Eduardo Cunha, apenas em um dos processos a que ele responde, é um exemplo disso.


A rapidez nas investigações, nas ações penais e nas decisões de Moro angustiam parlamentares das mais variadas colorações ideológicas e partidárias. Muito deles temem perder o mandato porque, se isso ocorrer, terão o processo remetido para a Lava-Jato em Curitiba. Por isso, agarram-se com unhas e dentes à prerrogativa de serem julgados apenas pelo STF. Não que a Corte seja sinônimo de impunidade, mas pela morosidade das decisões. Como os processos costumam se arrastar por anos e anos, muitos crimes prescrevem antes de o Supremo concluir o julgamento.


Além dos políticos, os processos da Lava-Jato agora passaram a mirar os partidos enrolados no bilionário esquema de corrupção que delapidou a Petrobras. Começou pelo PP. O Ministério Público Federal pede que a sigla faça o ressarcimento de R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos. Ora, se o PP era, em tese, o café pequeno da organização criminosa que devastou a estatal, a expectativa é que a bolada a ser cobrada do PMDB e do PT ; as duas outras legendas acusadas de participar do butim ; supere em muito a cifra bilionária exigida do Partido Progressista. Claro que tudo vai depender das provas que os investigadores tenham. Mas, se for proporcional ao papel de cada uma delas no caso, é de se esperar um montante bem maior. E pensar que tudo começou com uma despretensiosa investigação de lavagem de dinheiro num lava a jato de um posto de gasolina em Brasília.

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