Piquenique com refugiados

Piquenique com refugiados

Para celebrar o Dia das Boas Ações, evento promove a integração com pessoas que escolheram o Brasil como lar

» ISABELLA CONTE* * Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte
postado em 01/04/2017 00:00


Para quem gosta de experimentar comidas novas e trocar histórias e experiências, o Piquenique Sabores do Mundo é o programa perfeito. O evento será no domingo, no Parque Ana Lídia, e vai reunir a culinária de vários países. As comidas serão feitas por refugiados que residem no Distrito Federal. No cardápio, sanduíches paquistaneses, doces e salgados sírios, empanadas colombianas e waffles congoleses.

Marina Miranda, 27 anos, coordenadora de produção do evento, conta que o objetivo é realizar trocas interculturais e promover um mundo com mais amor e menos preconceito. ;Trata-se de uma parceria do Projeto Mais Pontes, Menos Muros com o Coletivo Bambuo. Queremos promover a quebra de barreiras entre as pessoas e trazer uma visão de pessoas reais, que estão levando histórias, culturas e sabores diferentes para todo mundo.; Esta é a segunda edição do evento e, para inovar, Marina conta que decidiram fazer em forma de piquenique para garantir uma maior interação. ;Queremos que as pessoas conheçam os refugiados e troquem histórias e energias. E, claro, que elas conheçam mais da culinária internacional, afinal, todo mundo gosta de comida gostosa;. O encontro faz parte do Dia das Boas Ações, data internacional que, no Brasil, é organizada pela Atados, que une ONGs e voluntários.

Para financiar a estrutura e comprar os ingredientes, o Coletivo Bambuo encabeçou uma campanha on-line de financiamento que funciona da seguinte forma: em uma pré-venda, o colaborador garante, antecipadamente, um dos quitutes que serão vendidos. Foram cerca de 82 colaboradores e R$ 2.348 arrecadados. No Facebook, mais de 200 pessoas confirmaram a presença.

Estreante em eventos como esse, a colombiana Mathielde Alvares, 47, está animada. ;Já estive em alguns eventos em que eu vendi pastéis, caldo de cana e empanadas, mas um piquenique assim, com várias comidas de vários lugares, é a primeira vez. Espero que seja ótimo e que possamos aprender muitas culturas e histórias de diferentes países;, afirma. Em um ;portunhol; improvisado, Mathielde conta que veio parar no Brasil devido aos recorrentes conflitos entre o governo da Colômbia e as forças armadas do país, que duram mais de 50 anos. Ela e a família moram no DF há três anos e gostam do lugar.

De acordo com o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), até abril de 2016, o Brasil tinha 8.863 refugiados reconhecidos. Desse total, 7% vivem na região Centro-Oeste ; ou cerca de 620 pessoas. Os principais grupos de refugiados residentes no Brasil são compostos por sírios (2.298), angolanos (1.420), colombianos (1.100), congoleses (968) e palestinos (376).

Quem também escolheu o DF para morar e participará do piquenique é o paquistanês Syed Zeshan, 33. Ele mora há quase três anos no Brasil e conta que teve que sair do país de origem devido às dificuldades de viver em paz. ;No início, não foi fácil. Eu não sabia falar português, que é uma língua difícil, e não conhecia ninguém.; Como forma de renda, Syed trabalha vendendo sanduíches paquistaneses ; os Aaloo ka pratha ; assados e congelados e diz que gosta bastante do que faz.

Syed explica que tem vontade de voltar a morar no Paquistão e reencontrar a família. ;Meu pai, minha mãe, meus irmãos e meus sobrinhos estão lá. Sinto muita saudade deles;, completa. Sobre o piquenique de domingo, ele assegura: ;O evento é um sucesso. Participei no ano passado e foi ótimo, deu para vender bem;. Amante desse tipo de evento, Syed se anima e alega que participou de outros sete parecidos. ;Sempre me animo e quero participar;, finaliza.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação