Salário mínimo sem aumento real

Salário mínimo sem aumento real

postado em 08/04/2017 00:00

O salário mínimo só terá aumento real a partir de 2019, conforme os parâmetros do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) divulgados ontem pelos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira. O piso do próximo ano será de R$ 979 ; alta de 4,8% sobre o mínimo atual de R$ 937 ;, ficando em linha com a expectativa de inflação para 2017. Logo, não haverá reajuste real do salário base, uma vez que , no ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) despencou 3,6%. Pela legislação vigente até 2019, a correção do mínimo considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e a variação do PIB de dois anos antes.

Para 2019, quando um novo governo será empossado, a previsão é de que o piso chegue a R$ 1.029, com alta de 5,1%. Em 2020, o salário base passará para R$ 1.103, com correção de 7,2%. Esses números são preliminares e podem ser mudados quando o PLDO for enviado, em 13 de abril, ao Congresso Nacional.

Os parâmetros futuros preocupam o economista Alexandre Espírito Santo, da Órama, já que aumentos reais do salário mínimo nos próximos governos terão impacto direto nas despesas da Previdência Social. O titular do Planejamento informou ontem que o governo prevê um rombo de R$ 202,2 bilhões em 2018, no Regime Geral de Previdência Social (RGPS). E, neste ano, o INSS deverá ter despesas superiores às receitas em R$ 188,8 bilhões.

Na avaliação de Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o anúncio dos aumentos dos rombos nas contas públicas no PLDO foi uma estratégia para pressionar o Congresso Nacional a aprovar as reformas, principalmente a da Previdência. ;O governo jogou para o Legislativo a responsabilidade dos ajustes fiscais;, disse.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners, a equipe econômica reavaliou o deficit de acordo com as flexibilizações feitas na reforma da Previdência. ;O projeto não vai ser mais aprovado nos moldes iniciais e, por isso, é coerente que se avalie o rombo para cima. Mas o impacto no primeiro momento mostra que o deficit é muito alto ainda e, por tabela, que o Banco Central não pode acelerar a queda de juros mais que um ponto percentual.;

A ideia de que a manter a reforma da Previdência mais impactante está ficando para trás, justifica que os resultados primários piorem, na opinião de Espírito Santo, da Órama. Para ele, o benefício da dúvida que o mercado dava à equipe econômica está esvaindo. ;O mercado não está mais tão confiante com o novo governo e vamos ver isso daqui para frente;, completou. (RH, JC e HF)

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