A corrupção vai vencer?

A corrupção vai vencer?

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA
postado em 08/04/2017 00:00

Políticos e empresários corruptos afundaram o Brasil numa crise ética e financeira sem precedentes. Assaltaram os cofres públicos como se não houvesse amanhã. Enquanto roubavam bilhões, entretinham a plateia com supostos avanços sociais que consistiam na mera distribuição de bolsas e na instituição de cotas, mecanismos que substituíram o antigo voto de cabresto dos coronéis pelo curral eleitoral progressista. O resultado de tudo isso está aí: atolaram o país na pior recessão da história, com mais de 13 milhões de desempregados. A qualidade dos serviços públicos, sobretudo da saúde, da educação e da segurança foi sucateada e sofreu retrocessos incalculáveis.


De início, o plano deu certo porque receberam como legado um país estabilizado pelo Plano Real e surfaram na onda dos bons ventos da economia no mundo inteiro. Principalmente, pela espetacular valorização das commodities graças à importação de minério pela China, que estava em vertiginoso período de crescimento. Investidores internacionais inundaram o Brasil de dinheiro. A economia, sim, a própria, salvou Lula no mensalão. Não, sem antes, ele jurar que não sabia de nada. E, em cadeia nacional de rádio e tevê, dizer que tinha sido traído pelo PT, pedir desculpas ao país e afirmar que o partido precisava fazer um mea-culpa, que nunca foi feito. Mas o pior estava por vir.


Depois do mensalão, o país foi surpreendido pelo petrolão, o maior esquema de corrupção de que se tem notícia no planeta. Veio o impeachment de Dilma e, nas eleições municipais, petistas levaram uma surra acachapante nas urnas. Mas o pesadelo ainda não acabou. As sinistras articulações em curso no Congresso sinalizam que dias piores virão. As forças do atraso ; à direita e à esquerda ; se uniram em torno de um projeto do PT não apenas para escapar da Lava-Jato, mas também para tirar o direito de a população cassá-las pelo voto. E, ainda, obrigá-la a pagar pela campanha de cada um deles.


É isso mesmo: na reforma política que tramam, o dinheiro dos cidadãos, em vez de financiar a educação e a saúde falidas, vai bancar a eleição, em lista fechada, de quem os partidos que aí estão decidirem. De Bolsonaro a Lula. E eles ainda poderão se candidatar, ao mesmo tempo, a mais de um cargo. Os brasilienses, por exemplo, poderão, sem saber, até mesmo eleger um Berzoini! No Paraguai, a população perdeu a paciência. Aqui, eles parecem nada temer. Nem as lições da história: ;Até quando, Catilina, abusarás da paciência nossa?;

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