Visita à China entra na agenda

Visita à China entra na agenda

postado em 08/04/2017 00:00
 (foto: Jim Watson/AFP)
(foto: Jim Watson/AFP)



O bombardeio americano contra a Síria, em represália pelo ataque químico de terça-feira, dominou a agenda de Donald Trump com o colega chinês, Xi Jinping, embora o governo de Pequim tenha preferido uma abordagem cautelosa do conflito. O presidente dos Estados Unidos, no entanto, saiu da reunião no resort de Mar-a-Lago, na Flórida, satisfeito com o que considerou ;um avanço tremendo; nas relações entre as duas maiores economias do mundo. Trump aceitou o convite de Xi para visitar a China, em data a ser definida, anunciou o secretário de Estado Rex Tillerson.

;Fizemos avanços tremendos em nosso relacionamento com a China;, disse Trump, que não deu detalhes sobre o encontro inédito, mas definiu como ;excelentes; as relações bilaterais. Embora tenha se alinhado até aqui com a Rússia no conflito sírio, inclusive no veto a resoluções que condenavam o regime de Bashar Al-Assad, o regime chinês optou ontem por um tom cuidadoso. Depois de ter condenado o uso de armas químicas ;por qualquer país, organização ou indivíduo, independentemente das circunstâncias e do objetivo;, a chancelaria de Pequim exortou as partes a ;evitar a deterioração; da guerra civil síria.

O ataque punitivo unilateral ordenado pelo presidente americano deu contornos mais fortes às ameaças feitas no fim de semana à Coreia do Norte, outro tema da agenda internacional que teve lugar central nas conversações. Em resposta ao lançamento de mais um míssil balístico por Pyongyang, Trump mencionou a possibilidade de ;resolver sozinho; o impasse em torno do programa nuclear norte-coreano. Fontes diplomáticas sugeriram que Pequim poderia reforçar o controle de transações bancárias com a Coreia do Norte. Em troca, pediria aos EUA para adiar a entrega de armamentos a Taiwan.

Comércio
Trump embarcou para a Flórida, na quinta-feira, depois de ter reiterado as queixas feitas desde a campanha eleitoral de 2016 contra o que considera práticas deleais da China no comércio global e bilateral. Antes do jantar que ofereceu com a primeira-dama, Melania, aos visitantes, o presidente americano adotou um tom confiante ao comentar a rodada inicial de discussões com Xi. ;Já tivemos uma longa conversa e até agora não obtive absolutamente nada, mas estamos construindo uma amizade;, disse aos jornalistas.

Embora nenhuma das partes tenha feito declarações sobre o teor da reunião de ontem, Trump tinha programado abordar o delicado tema do deficit norte-americano no comércio bilateral, que subiu no ano passado para o patamar de US$ 350 bilhões. Os EUA acusam a China de manipular o valor de sua moeda, o iuane.

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