A fluidez sonora de Tibério Azul

A fluidez sonora de Tibério Azul

» Igor Silveira
postado em 08/04/2017 00:00
 (foto: Fabiano Cafure/Divulgação-11/12/16)
(foto: Fabiano Cafure/Divulgação-11/12/16)




O músico pernambucano Tibério Azul é um admirador do budismo. Um dos ensinamentos mais impactantes que aprendeu foi tentar abandonar a necessidade de controlar o que não se consegue. ;Você não tem o comando de diversas situações que imagina ter. Muitas coisas têm seus caminhos próprios e, quando você as deixa seguirem naturalmente, tira muito da expectativa, da ansiedade;, explica. ;Mas não tem nada a ver com passividade. É muito mais profundo;, completa Tibério.

Essas premissas permeiam o novo disco do cantor, Líquido, desde a criação. Tibério decidiu dar um pausa na carreira para cuidar dos dois primeiros anos da filha. Ficou mais um ano trabalhando na concepção das músicas. Como mesmo diz, respeitou o momento. O resultado é uma amplificação de Bandarra ou o caminho que vai dar no sol (2011), estreia do artista em carreira solo. ;Foi um processo consciente;, ressalta.

De fato, Líquido traz faixas com arranjos mais robustos, como na música que abre e dá nome ao disco. Mas a poesia de Tibério Azul ainda se mostra primeiro e com belas letras distribuídas ao longo do álbum, que tem participações especiais de Vitor Araújo, amigo e companheiro de Seu Chico ; trabalho paralelo em que apresenta a obra de Chico Buarque com arranjos tipicamente pernambucanos ;, Clarice Falcão e Pedro Luiz.

;Onde finco o pé com segurança é na minha verve poética; a narrativa, o olhar, o personagem. Isso é o meu tesão. Depois que defino isso, parto para um caminho mais prático, que é a expressão concreta: arranjos, gravação etc. Nesses momentos, eu busco apoio em pessoas que admiro;, conta.

Literatura
Mesmo durante o hiato na carreira, apesar da mudança para o Rio de Janeiro e da escolha por uma vida mais simples e tranquila (;Moro em um lugar que parece uma cidade do interior, uma vila;), Tibério Azul não parou de escrever. E não somente letras de música, mas poesias que renderam um livro. Líquido ou o homem que nasceu amanhã (Editora Confraria do Vento) é uma extensão do disco. Não uma continuação ou uma obra separada.

;Sou muito do aprofundar o questionamento poético, do entender o personagem, a história.; Assim segue Tibério, contemplando as palavras e a musicalidade como se os dois elementos fossem parte de um mesmo rio, correndo sempre juntos e na mesma direção.

Líquido
Segundo disco de Tibério Azul. Independente, 9 faixas.
Preço: R$ 20. Disponível nas principais plataformas de streaming.



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