40 milhões de euros de propina

40 milhões de euros de propina

postado em 15/04/2017 00:00
 (foto: Reprodução)
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O ex-diretor do setor de Infraestrutura da Odebrecht Benedicto Júnior, o ;BJ;, afirmou em delação que a empresa pagou 40 milhões de euros para o lobista José Amaro Pinto Ramos a fim de fechar o contrato de parceria com a gigante francesa DCNS para a construção de cinco submarinos ; um deles, movido a energia nuclear ; para a Marinha. O negócio, de acordo com o delator, envolveu propinas para o ex-presidente da Eletronuclear Othon Luis Pinheiro da Silva e para o PT. Os pagamentos, segundo BJ, foram feitos em parcelas, entre 2010 e 2014, e parte para uma empresa de Ramos no Uruguai. Ele entregou para os procuradores da República os extratos de transferências para contas do lobista e também os registros de liberação e ordenamento dos pagamentos para Ramos, identificado pelo codinome ;Champagne;.Ainda de acordo com BJ, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto ; preso em Curitiba desde abril de 2015 ; cobrou propina para o partido no mesmo contrato. Ao PT, via Vaccari, foram pagos, segundo BJ, R$ 17 milhões pelo setor de operações estruturadas. Segundo o executivo da Odebrecht, assim que foi fechado o acordo de cooperação com a DCNS e efetuada a liberação de um adiantamento de R$ 650 milhões, Vaccari o procurou no Rio ;para solicitar que fossem realizados pagamentos ao PT por conta da conquista do projeto;. ;Informei que não concordava em realizar o pagamento, por não ter havido combinação prévia, mas ele insistiu.;

Em depoimento à Justiça Eleitoral, Marcelo Odebrecht afirmou que a Odebrecht Infraestrutura ficou responsável por pagar R$ 50 milhões do montante acertado com o PT para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff, em 2014, para que as liberações de dinheiro do governo no contrato de construção dos submarinos não parassem. O programa foi lançado em 2008, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista chegou a assinar uma ;parceria estratégica; com o então mandatário da França, Nicolas Sarkozy. A DCNS ficou responsável pela transferência de tecnologia ao país e escolheu a Odebrecht como parceira nacional no projeto, sem realização de licitação. O valor estimado até o fim do programa, conforme informado pelo governo federal (SIOP), é de R$ 31,85 bilhões. O advogado Álvaro Luís Fleury Malheiros, que representa José Amaro Ramos, informou que seu cliente recebeu 17,5 milhões de euros, a título de honorários. O pagamento, segundo o advogado, foi feito porque Ramos levou para a Odebrecht um negócio importante, de grande porte. ;Tudo está perfeitamente regularizado.;O PT nega irregularidades. O advogado Luiz Flávio Borges D;Urso, defensor de Vaccari, afirmou que seu cliente não praticou ilícitos e criticou acusações feitas com base em delações. A defesa do ex-presidente da Eletronuclear não foi localizada. A Marinha informa que ;desconhece qualquer irregularidade;.

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