Laptop jogado no mar dos EUA

Laptop jogado no mar dos EUA

Diretor do setor de operações estruturadas da Odebrecht decidiu, em Miami, se desfazer do computador para destruir provas, depois que a empresa pediu o aparelho e bloqueou a senha. Ele disse, entretanto, que a máquina não tinha muitos dados

postado em 15/04/2017 00:00
 (foto: Pedro Ladeira/Folhapress - 6/3/17)
(foto: Pedro Ladeira/Folhapress - 6/3/17)


Procurado por integrantes do setor de tecnologia da Odebrecht para entregar o computador pessoal, o diretor do setor de Operações Estruturadas, responsável pela distribuição de propinas, Hilberto Mascarenhas tomou a decisão de se desfazer do aparelho jogando-o ao mar, em Miami. A decisão foi revelada pelo ex-dirigente em delação premiada prestada no âmbito da Operação Lava-Jato. No depoimento, os investigadores questionaram Mascarenhas sobre a destruição de provas e mudanças do setor para a República Dominicana.

Ao falar sobre a entrega do laptop a um dos funcionários da área de tecnologia da empresa, Mascarenhas disse que não iria fazer o procedimento, uma vez que, no aparelho, além dos dados do setor, havia informações pessoais. ;Tentei tirar. Comprei um hard disc para poder gravar as coisas pessoais, mas não consegui porque, na hora que disse que não ia entregar o computador, ele bloqueou as minhas senhas. Então, eu não conseguia ligar o computador. Desfiz (sic) do meu computador nessa viagem (a Miami) sem tirar minhas coisas pessoais nem as da empresa;, ressaltou o ex-dirigente.

Onde se desfez do aparelho? ;Joguei no mar;, ressaltou. Segundo ele, junto com o computador, foi jogado o pen drive com o programa ;Iron key;, dispositivo que daria acesso ao banco de dados do setor de propina. Ao falar sobre o conteúdo que continha no computador pessoal e no celular da empresa, o ex-diretor disse que não havia o costume de guardar muitas informações e alfinetou o ex-chefe Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora. ;O Marcelo vivia enchendo o saco da gente para não ter guardado nada no nosso (aparelho) e, quando ele foi preso, no dele tinha tudo;, ironizou.

Mascarenhas também informou que a mudança do setor de propinas, em 2014, da cidade de Salvador para a República Dominicana foi uma decisão de Marcelo Odebrecht. A ação correu após os avanços das investigações da Lava-Jato. Na mudança, também foram transferidos os funcionários Luiz Eduardo Soares e Fernando Migliaccio, que passaram a trabalhar de segunda a sexta-feira na República Dominicana e, nos fins de semana, se encontravam com familiares em Miami.;Ele insistiu muito e pressionou muito para o pessoal ir rápido. Ele foi muito forte na pressão dele. Os meninos foram, mas foram no corre-corre;, relata Mascarenhas. Em meio à ;correria; para se fazer a mudança de endereço, Marcelo Odebrecht enviou e-mail para Mascarenhas para saber se os dois funcionários que haviam partido para o exterior estavam ;tranquilos; e ;disciplinados;. ;Tinha muita preocupação de Marcelo em não desagradar a equipe. Eles estavam trabalhando na confiança, pelo que passava de dinheiro na mão desse povo, se quisessem pegar 2 a 3 milhões e sumir no mundo, nunca mais ninguém acharia;, ressaltou Mascarenhas.

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