Da bolsa e dos fatos...

Da bolsa e dos fatos...

PLÁCIDO FERNANDES VIEIRA placidofernandes.df@dabr.com.br
postado em 15/04/2017 00:00
Três dias depois da divulgação da lista de Fachin, e dois após as delações do fim do mundo se tornarem públicas, a Bolsa de Valores de São Paulo seguia comportando-se com cautela diante da hecatombe política que sacode o país. Logo no primeiro dia, quando a bomba desabou sobre Brasília, o pregão se manteve impávido e oscilou movido por questões geopolíticas ; a guerra de Trump ; e suas consequências no cenário internacional, inclusive reagindo nos momentos finais, mas fechando em leve queda, assim como os mercados americanos. O mesmo ocorreu com o dólar.

No segundo dia, mais uma vez, os petardos que mais afetaram a Bovespa vieram de fora. E também causaram estragos no mercado internacional. Tiveram a ver com a queda no valor de commodities, incertezas sobre a política econômica de Trump e a tensão entre Estados Unidos, Rússia, Síria e Coreia do Norte. Na Europa, as eleições na França também mexeram com o humor de investidores e influenciaram o pregão brasileiro. Na quinta, a bolsa ; contrariando o senso comum e as delações da Odebrecht ; até operou em alta pela manhã. Mas, à tarde, não teve para ninguém: o mais potente artefato não nuclear que os EUA lançaram contra o Estado Islâmico no Afeganistão e o risco de um ataque contra Pyongyang detonaram os mercados do planeta. Dessa vez, a bolsa brasileira caiu 1,67% ; o menor nível em três meses ; e fechou a semana com perdas de 2,74%.

Fossem outros os tempos, a bolsa tupiniquim certamente estaria derretendo com a lista de Fachin, as delações da Odebrecht e Trump. Por que isso não corre agora? Primeiro, porque os movimentos internos já estavam precificados pelo mercado, estratégia preventiva de investidores nem sempre perceptível por pessoas alheias a esse universo. Analistas financeiros avaliam o que houve antes em situações semelhantes e antecipam cenários. Nesse caso, a lista anterior em que Teori determinou a abertura de inquérito contra 47 políticos serve de parâmetro. Mais de dois anos depois, apenas quatro viraram réus no STF.

Não é só economia ou política, claro. Entram aí outros fatores. Sobretudo do mercado global. Mas, neste momento, nas avaliações sobre o Brasil, pesa muito a credibilidade da equipe econômica, avalista das reformas que o governo precisa aprovar no Congresso. E será isso possível na atual conjuntura política? Se novos fatos não desabarem sobre Temer e aliados, a resposta dos analistas é sim. O primeiro teste será a votação da reforma trabalhista. Depois, a da mais difícil de todas, a previdenciária. No mundo financeiro, a aposta é que ao governo e a parlamentares da base não resta alternativa, quando chegarem às eleições de 2018 ; a não ser o possível trunfo de haver contribuído para tirar o Brasil da pior recessão da história. ;É a economia, estúpidos;, lembram dessa frase?



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