A bravura de João Miguel

A bravura de João Miguel

O bebê nasceu com uma anomalia no coração, lutou por um mês, mas ontem não resistiu a uma cirurgia de emergência no Instituto de Cardiologia do DF. Família havia mobilizado as redes sociais para custear operações em hospital particular

» RODOLFO COSTA
postado em 15/04/2017 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)
O bebê João Miguel Serra, de 1 mês, combateu enquanto pôde uma cardiopatia congênita. E, em plena Sexta-feira da Paixão, complicações da anomalia no coração, que comprometia a liberação do sangue pelo ventrículo direito, acometeram a criança, que morreu na manhã de ontem (leia Memória). João Miguel dera entrada no Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) na quarta-feira. Mas, no mesmo dia, após exames, a família teve que lidar com a avaliação dos médicos de que o estado de saúde era grave. ;Os próprios profissionais se perguntaram como ele ainda podia estar vivo;, disse o pai, o auxiliar de cozinha Claudinei Serra, 27 anos.

Os poucos dias de vida não foram fáceis para a criança. Como o coração não estava formado, precisava constantemente de oxigênio. Por esse motivo, uma cirurgia seria necessária para mantê-lo vivo. Por causa da anomalia, o corpo do bebê não conseguiria se adaptar por muito tempo, e, provavelmente, não aguentaria até os 3 meses. Após uma bateria de exames realizada logo na chegada ao ICDF, os médicos constataram que ele precisava fazer uma operação de emergência. ;Ele estava com muita pressão no pulmão e foi necessário o procedimento para fazer essa correção;, detalhou Claudinei.

A operação, no entanto, se revelou complicada. ;Foram quase sete horas de cirurgia. E os médicos avisaram que as primeiras 48h seriam muito críticas;, afirmou Claudinei. O corpo de João não reagiu bem ao procedimento, e ele teve duas paradas cardíacas. A primeira aconteceu às 4h de hoje. Após os médicos o reanimarem, ele teve outra parada, às 5h17, mas não resistiu.

Embora os especialistas tenham alertado a família de que havia poucas chances de sobrevivência a uma intervenção, a expectativa era de que o bebê pudesse superá-la, uma vez que estava mamando, crescendo e ganhando peso. Para suportar a perda, a família se ampara na religião. ;A minha mulher e eu estamos arrasados. Como pai de primeiro filho, fico me perguntando se não podia ser diferente, mas não quero questionar Deus. O João ainda precisaria fazer outras duas cirurgias, mas Deus quis evitar o sofrimento dele;, disse Claudinei.


Memória

Arrecadação e Justiça

Quatro dias depois de nascer, João Miguel Serra foi internado na UTI do Hospital Regional de Santa Maria. João teve uma cardiopatia congênita que comprometeu a liberação do sangue pelo ventrículo direito. O problema foi percebido pela médica da maternidade no dia em que a criança teria alta. Ela notou que o pequeno respirava mais rápido e estava com a pele de cor diferente. Até então, ninguém imaginava que o bebê estaria com algum problema. Depois dos exames, a patologia foi detectada. A família iniciou uma campanha on-line para realizar uma cirurgia em um hospital particular. A mãe também entrou na Justiça para tentar uma vaga no Instituto de Cardiologia do DF (ICDF) ; que também atende pacientes do SUS ;, mas não conseguiu.




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