Só um campeão

Só um campeão

Descendente de pernambucano, presidente do Flamengo trata título exclusivo do Sport em 1987 -- mantido no STF -- como folclore e jura que o bisavô não tinha time no Recife

Marcos Paulo Lima
Marcos Paulo Lima
postado em 19/04/2017 00:00
 (foto: Arquivo DP/D.A Press - 7/2/88
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(foto: Arquivo DP/D.A Press - 7/2/88 )






O sangue nordestino do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, ferveu ontem à tarde no capítulo final (será?) da novela sobre o campeão brasileiro de 30 anos atrás. Por 3 votos a 1, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) indeferiu o recurso do Flamengo. O clube carioca contesta a decisão da Justiça que aponta o Sport como único campeão da Copa União de 1987 ; como era chamado o Campeonato Brasileiro na época. Os ministros Marco Aurélio Melo, Rosa Weber e Alexandre de Moraes marcaram os ;gols; do Sport. Luis Roberto Barroso optou pela divisão do título. Luiz Fux se absteve sob a alegação de que o filho, Rodrigo Fux, defendeu o time do Rio no perrengue jurídico.

Bisneto do pernambucano Gustavo Moncorvo Bandeira de Mello, que mudou-se para o Rio de Janeiro no fim do século 19, o presidente do Flamengo deu de ombros para a derrota no STF. Questionado pelo Correio se o clube agora reconhece o Sport como campeão exclusivo de 1987, o dirigente carioca respondeu: ;O Flamengo é o legítimo campeão;. A possibilidade de apelar à Corte Arbitral do Esporte, na Suíça, não está descartada. ;Vamos avaliar. Só sei (e todos sabem) que o campeão é o Flamengo;, acrescentou.

Antes do parecer de ontem, Eduardo Bandeira de Mello fazia até piada com a polêmica. ;Eu sou descendente de pernambucano. Isso (Sport campeão de 1987) faz parte do bom humor pernambucano, que acha que o Oceano Atlântico é formado pelo encontro do Rio Beberibe com o Capibaribe, que a Rádio Jornal do Comércio fala do Recife para o mundo, as histórias do Íbis;, ironizava antes da decisão marcada para ontem.

Indagado se não está desrespeitando a memória do bisavô ao comprar briga com um time pernambucano, o carioca Eduardo Bandeira de Mello disse que não. ;Ele veio para o Rio no fim do século 19. Não havia futebol profissional lá (em Pernambuco) na época. Meu avô (Raul Leite Bandeira de Mello) já nasceu no Rio e sempre foi Flamengo;, contou.

Questões familiares à parte, o presidente do Sport, Arnaldo Barros, classificou a vitória como esperada. ;O Flamengo não aceita as decisões dos tribunais, não respeita a Constituição. Querem subverter essa resposta constitucional, mas os ministros do STF, do alto de suas sabedorias, conseguiram recolocar a ordem e reconhecer a força da coisa julgada. Aconteceu o que deveria acontecer;, disse. ;É preciso esclarecer que não era o título do Sport que estava em jogo, e sim se o Flamengo também seria campeão de 1987;, completou o dirigente pernambucano.

Votos
Em 2001, o caso foi transitado em julgado, com o Sport declarado único campeão de 1987. No entanto, em 2011, uma decisão administrativa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) declarou dois vencedores. ;A decisão que conferiu ao Sport o título transitou em julgado e não pode ser alterada. O Sport permanece com o título. O posterior reconhecimento do Flamengo como campeão conjuntamente por decisão da CBF constitui ato válido à luz da Constituição, da legislação e dos precedentes existentes. A resolução da CBF não retirou do Sport a condição de campeão brasileiro de 1987;, argumentou o ministro Luis Roberto Barroso.

Torcedor do Flamengo, ele disse que está ;insuportável; a judicialização da vida no Brasil. ;Estamos falando do tapetão do STF para decidir o título de um campeonato de futebol.;

A ministra Rosa Weber praticamente decidiu mais um triunfo do Sport. ;Eu entendo que o ideal é que as questões desportivas não fosse judicializadas. Se pudesse definir com o meu voto quem seria o campeão de 1987, eu estaria declarando o Internacional;, justificou a colorada.



;Só sei (e todos sabem) que o campeão é o Flamengo;
Eduardo Bandeira de Mello, presidente do clube carioca

;O Flamengo não aceita as decisões dos tribunais, não respeita a Constituição;

Arnaldo Barros, presidente do Sport




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