Pela troca de relator

Pela troca de relator

Bruno Araújo e Aloysio Nunes Ferreira querem que os inquéritos contra eles no Supremo sejam transferidos de Edson Fachin para outro magistrado

postado em 19/04/2017 00:00
 (foto: Domingos Tadeu/Agência Brasil - 2/6/16)
(foto: Domingos Tadeu/Agência Brasil - 2/6/16)


Investigados com base na delação da Odebrecht, os ministros Bruno Araújo (Cidades) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) pediram a Edson Fachin, ministro-relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que sejam redistribuídos os inquéritos instaurados contra eles.

Cabe ao ministro Fachin solicitar uma eventual redistribuição à presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Segundo a defesa dos dois ministros ; os mesmos advogados assinam as petições de Bruno Araújo e Aloysio Nunes ;, os fatos narrados por delatores da Odebrecht ;não têm qualquer conexão direta com os fatos objeto da Operação Lava-Jato;.

;Sendo assim, torna-se necessária, com base inclusive em entendimentos desse próprio STF, a redistribuição do presente feito a um novo relator, sorteado aleatoriamente no âmbito dessa Corte;, pedem os advogados.

Suspeitas

O ministro das Relações Exteriores é investigado com o senador José Serra (PSDB-SP) por suposto recebimento de propina nas obras do Rodoanel. O ministro das Cidades, por sua vez, teria recebido R$ 600 mil não contabilizados da Odebrecht porque seria uma ;aposta; da empreiteira, disse em delação premiada o executivo João Pacífico Ferreira.

Conforme planilhas apresentadas pelos colaboradores João Pacífico Ferreira e o ex-presidente da Construtora Norberto Odebrecht Benedicto Júnior, houve pagamentos realizados em 2010 para Bruno Araújo, num total de R$ 300 mil. Na época, o tucano concorria ao cargo de deputado federal. Em 2012, foram repassados ao atual ministro mais
R$ 300 mil, segundo os delatores.

Em nota, o ministro Aloysio Nunes diz que não recebeu ;qualquer contribuição da Odebrecht; e que há contradições nos depoimentos de delatores. O ministro Bruno Araújo, por sua vez, afirmou que ;os áudios e os vídeos dos delatores mostram uma dissociação em relação ao que me foi imputado e os fatos relatados; e que tem ;convicção de que tudo ficará devidamente esclarecido;.

Odebrecht pede ;compreensão;

Em meio ao furacão das delações de 77 executivos e ex-executivos da companhia, a Odebrecht enviou carta a seu quadro de funcionários pedindo a todos ;compreensão;. A empresa diz que a ;exposição negativa; ; a partir dos depoimentos de seus próprios dirigentes e ex-dirigentes que revelam uma longa rotina de fraudes, desvios, corrupção e práticas ilícitas em geral ; é ;dolorosa, mas necessária;. ;Nós precisávamos passar por isso;, diz o texto. A Odebrecht assinala aos funcionários: ;Seria impossível reconstruir a empresa que queremos para o futuro sem enfrentar a realidade de fatos ocorridos anteriormente e que só agora vocês e a sociedade passaram a conhecer.;

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