"Poderosos resistem"

"Poderosos resistem"

» JULIA CHAIB
postado em 19/04/2017 00:00

Como parte da ofensiva para angariar votos, o presidente Michel Temer disse, em discurso a deputados da base aliada, que é uma ;mentira; a tese de que a reforma da Previdência prejudicará os mais pobres, e justificou as flexibilizações feitas no texto. Segundo o presidente, ;ninguém quer fazer mal ao país; e afirmou que os mais resistentes às mudanças propostas são os ;mais poderosos;. As falas de Temer ocorreram em um café da manhã no Palácio da Alvorada, oferecido a deputados da base aliada e ministros, para explicar os pontos alterados na reforma.

Temer rebateu críticas recorrentes ao projeto. ;Muitas vezes, dizem assim, ;mas essa reforma da Previdência vai pegar os pobres;. Vou usar uma palavra forte: mentira. Mentira, porque 63% do povo brasileiro ganha salário mínimo, portanto, não vai atingir os pobres;, afirmou. ;Os que resistem e fazem campanha são os mais poderosos. São aqueles que ganham mais. Temos que dar uma resposta a isso;, continuou.

Espinha dorsal


Segundo o presidente, a reforma foi pensada para ter impacto nos próximos 40 anos, e, desde que foi proposta, sabia-se que o ;diálogo com o Congresso seria indispensável;. Temer ressaltou que as mudanças no texto foram feitas após serem ouvidas todas as bancadas, justamente para considerar a opinião dos parlamentares. De acordo com ele, aceitou-se negociar os pontos que não alterassem a idade mínima de 65 anos, que seria o ponto principal da proposta. O presidente, porém, não comentou a redução da idade mínima das mulheres para 62 anos. ;Essa (a idade mínima) é a espinha dorsal, o núcleo da reforma da Previdência. O mais pode ser negociado. E foi negociado;, disse.

Temer buscou reforçar a importância do Legislativo no trabalho conjunto com o Executivo para aprovação das principais reformas. Além de explicar à base os pontos da reforma, o governo veiculará duas peças publicitárias na tevê e nas redes sociais com dois vídeos defendendo a proposta.

Em um dos vídeos, a reforma é comparada a outras medidas que sofreram resistência inicial, mas depois passaram a ser consideradas boas, como o uso obrigatório do cinto de segurança, a revolta da vacina, em 1904, a privatização da telefonia, em 1998, e o Plano Real. ;Sem ela, o Brasil pode quebrar;, diz a peça publicitária.

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