As lições da Lava-Jato

As lições da Lava-Jato

RENATO ALVES renatoalves.df@dabr.com.br
postado em 19/04/2017 00:00
Há uma semana, o país assiste atônito aos trechos das delações dos donos e ex-executivos da Odebrecht. Os vídeos escancaram a podridão da política brasileira. Mostram como os donos do poder venderam o Brasil a criminosos travestidos de empresários. A melhor definição veio do procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa da Lava-Jato: ;Temos a República Federativa da Corrupção Lava-Jato;.

Em depoimentos, os homens que comandavam a maior empreiteira do país deixaram claro que compraram integrantes de todos os níveis da Federação. Incluindo muita gente que diz lutar pela ética, pela moral, pelos bons costumes. Incluindo parlamentares que discursaram duramente contra a corrupção, durante a votação do impeachment. Incluindo petistas que se diziam vítimas de perseguição, de um ;golpe;. Incluindo defensores do discurso ;bandido bom é bandido morto;. Neste último exemplo, a regra deve valer no caso do bandido não ser amigo, milionário, financiador de campanha política.

A Lava-Jato tem servido para acabar com mitos, arrancar máscaras, mostrar que, na guerra entre ;coxinhas; e ;mortadelas;, os únicos perdedores são os fanáticos que se matam nas redes sociais. Salvo raríssimas exceções, independentemente de ideologia, eram todos da Odebrecht. E a Odebrecht não era a única empreiteira a ter uma quadrilha para chamar de sua. E não foi só o setor de construção pesada que criou e empoderou sua organização criminosa.

É ingênuo não imaginar que os planos de saúde, a indústria farmacêutica, a indústria da carne, o setor automotivo e tantos outros mantinham (e mantêm) as práticas que Emílio e o filho Marcelo Odebrecht tratam como naturais. Operações policiais nas esferas federal e estadual já nos deram uma amostra disso. Os próprios delatores da Odebrecht já deram pistas que levam a outros tantos segmentos da economia.

Os políticos venderam o país em fatias. Agência reguladora, estatal, banco. Cada partido era dono de uma fatia do precioso bolo brasileiro e a negociava de acordo com o gosto do freguês, o empresário. Parlamentares nada mais eram do que meros despachantes ou corretores de luxo, que cobravam percentual pelo serviço sujo de quem tanto fala em meritocracia, arrojo, inovação, modernidade, mas que demonstrou só conhecer o velho caminho do banditismo para alcançar o tão almejado ;sucesso;.

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