Alerta pré-eleitoral

Alerta pré-eleitoral

Na reta final para a disputa presidencial deste domingo, a polícia apreende armas, explosivos e bandeiras jihadistas e detém dois suspeitos de planejar atentado. Quatro candidatos lutam por duas vagas no segundo turno

postado em 19/04/2017 00:00
 (foto: Boris Horvat/AFP)
(foto: Boris Horvat/AFP)



A cinco dias do primeiro turno da eleição presidencial, a ameaça do terrorismo islâmico voltou ontem ao debate político, na França, depois de as autoridades deterem em Marselha, no sul do país, dois homens suspeitos de planejar um atentado. Identificados como Clément Baur, 22 anos, e Mahiedine Merabet, 29 anos, os jovens seriam cidadãos franceses ;radicalizados;. Nas buscas associadas à operação, a polícia encontrou armas, material para a fabricação de explosivos e bandeiras da organização jihadista Estado Islâmico (EI). Segundo o ministro do Interior, Matthias Fekl, os detidos preparavam um ataque a ser cometido ;nos próximos dias;.

O incidente acrescenta um elemento de tensão à acirrada disputa pela sucessão do presidente socialista François Hollande. Embora a ação policial possa ter prevenido uma ação terrorista, observadores políticos consideram que a notícia pode beneficiar candidatos que defendem o controle da imigração e a imposição de restrições à comunidade muçulmana ; caso da candidata da extrema-direita Marine Le Pen, e do ex-primeiro-ministro direitista François Fillon.

Uma pesquisa de intenções de voto publicada pelo jornal conservador Le Figaro mostrou Le Pen disputando o primeiro lugar com o centrista Emmanuel Macron, enquanto Fillon lutava pela terceira posição com o esquerdista Jean-Luc Mélenchon. A diferença de seis pontos percentuais entre o primeiro e quarto colocado, assim como a elevada taxa de indecisos, torna a eleição de domingo a mais imprevisível das últimas décadas.

Emergência
A França está em estado de emergência desde os ataques de novemro de 2015, reivindicados pelo EI, nos quais 238 pessoas morreram. A polícia mantinha sob vigilância os dois suspeitos, que exibem registro de prisões anteriores por delitos não relacionados ao terrorismo. Os dois foram capturados no porto de Marselha, com minutos de intervalo. Além das armas e explosivos, o procurador-geral de Paris, François Molins, afirmou que uma bandeira do grupo jihadista estava em poder da dupla.

As autoridades sustentam que os jovens preparavam ;uma ação violenta em território francês, de maneira iminente, mas não podemos determinar com precisão o dia ou os objetivos;. Dias antes, a segurança dos candidatos à presidência tinha sido reforçada. A imprensa francesa relatou indícios de que François Fillon poderia ser alvo de um ataque.

De acordo com o semanário L;Express, o esquema de proteção para um comício do candidato do partido Republicanos em Mont-pellier, na última sexta-feira, contou com atiradores de elite. Em entrevista ao jornal Le Monde, o ex-premiê contou que sua equipe recebeu avisos e que as informações ;iniciais; partiram dos serviços de inteligência britânicos.

Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), e Beno;t Hamon, do Partido Socialista (PS), também foram informados sobre possíveis ameaças. ;Tudo está pronto para garantir a segurança do primeiro turno da eleição presidencial;, assegurou o ministro do Interior.



Imigração
Em paralelo ao anúncio das prisões, Fillon e Le Pen voltaram a defender mudanças na política de imigração. Enquanto o republicano falou em fomentar um sistema ;fortemente seletivo; de entrada no país, a líder ultradireitista prometeu suspender completamente o ingresso de candidatos a residência no país.

Em um comício em Paris, Le Pen disse que, se eleita, tomará medidas para interromper a migração legal e ;parar com esse frenesi, com essa situação incontrolada;. O discurso foi considerado um dos mais duros de sua campanha. Ela defendeu a aplicação de regras ;muito mais drásticas, razoáveis, humanas e administráveis; para a questão.

No Twitter, Le Pen considerou que a entrada de estrangeiros ;é uma tragédia; para a França. ;A imigração é usada para criar concorrência desleal com os nossos trabalhadores;, escreveu. ;Em meio ao fluxo de imigrantes, infiltra-se o terrorismo islâmico, que vem para atingir o nosso coração.;

Com cerca de 30% dos eleitores ainda indecisos sobre a votação de domingo, os concorrentes à presidência usam todos os recursos para conquistar os votos que possam garantir a passagem ao segundo turno, em 7 de maio. Emmanuel Macron, um dissidente do PS que foi ministro da Economia e desponta como favorito para suceder Hollande, preferiu um discurso com ênfase na união da sociedade. ;A França tem uma enorme responsabilidade: alcançar a harmonização social e a harmonização fiscal na Europa;, escreveu no Twitter. ;Podemos fazer isso porque somos um grande país. Caso contrário, será o retorno ao nacionalismo.;

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