Erdogan divide Trump e aliados

Erdogan divide Trump e aliados

O presidente dos Estados Unidos faz coro com o da Rússia, Vladimir Putin, e aplaude a vitória do colega turco no referendo de domingo sobre a ampliação dos poderes do Executivo. Oposição pede a anulação da votação, com endosse da Europa

postado em 19/04/2017 00:00
 (foto: Ozan Kose/AFP)
(foto: Ozan Kose/AFP)



O principal partido de oposição da Turquia, o social-democrata CHP, formalizou ontem perante a Justiça eleitoral o pedido de anulação do referendo constitucional do último domingo, que aprovou por margem estreita a ampliação dos poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan. A movimentação se soma à da Comissão Europeia (CE), braço executivo da União Europeia (UE), em favor de uma investigação independente sobre as denúncias de irregularidades na votação. Na contramão do bloco europeu, os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, cumprimentaram Erdogan pela vitória ; por uma diferença inferior a três pontos percentuais.

Na petição, o CHP sustenta que o Alto Conselho Eleitoral (YSP) ;mudou as regras no meio do processo, o que não pode ser perdoado;, segundo antecipou ao jornal Hürriyet o dirigente social-democrata Kemal Kilicdaroglu. As queixas encontram coro nas críticas da CE, que formulou suas colocações apoiada no informe apresentado pela missão da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) que acompanhou a consulta popular de domingo. ;Pedimos às autoridades (turcas) que abram uma investigação transparente sobre as supostas irregularidades constatadas pelos observadores;, declarou o porta-voz do Executivo europeu, Margaritis Schinas, que pediu ;moderação; a todas as partes.

;A vontade da nação se expressou livremente nas urnas e o assunto está resolvido;, respondeu de bate-pronto o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, que considerou ;vãs; as objeções dos adversários à condução do processo eleitoral. ;Todo mundo, começando pelo principal partido de oposição, deve respeitar a palavra da nação;, insistiu. Na noite de segunda-feira, em resposta à pressão dos adversários, o governo de Yildirim anunciou a decisão de prorrogar por mais três meses o estado de emergência, em vigor desde julho passado, quando fracassou uma tentativa de golpe militar contra Erdogan. Horas antes, reagindo às reservas apresentadas pelos observadores da OSCE, o presidente turco repeliu ;intervenções externas; no processo: ;Não vemos e não levamos em conta qualquer relatório que vocês possam preparar;.

Apoio
O governo de Ancara colecionou também declarações de apoio das duas maiores potências militares do planeta aos resultados da controversa votação. Em telefonemas, os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia cumprimentaram Erdogan pela vitória no referendo e renovaram a disposição de trabalhar com o governo de Ancara ; em especial, na busca de uma solução para a guerra civil na Síria, na qual os três países estão envolvidos.

De acordo com a agência oficial turca Anatolia, o chefe de Estado conversou ontem com o colega Vladimir Putin sobre a importância de normalizar plenamente as relações bilaterais, arranhadas depois que um avião russo foi abatido na fronteira da Turquia com a Síria, no fim de 2016. Trump, cuja política externa ainda causa certo desconcerto entre os aliados europeus, colocou em primeiro lugar o interesse de cultivar os laços com um aliado militar estratégico para os EUA e fez questão de felicitar Erdogan ainda na noite de segunda-feira.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação