Requintes da nobreza no alto da serra

Requintes da nobreza no alto da serra

Poços de Caldas preserva a tradição dos balneários europeus, com águas curativas, o bom gosto na arquitetura neoclássica, com direito ao toque mineiro no trato ao turista e nas delícias gastronômicas

» Ricardo Japiassu Especial para o Correio
postado em 19/04/2017 00:00
 (foto:  Renato Weil/EM/D.A Press)
(foto: Renato Weil/EM/D.A Press)


A 1.300 metros de altitude, nas cumeeiras da Serra da Mantiqueira, Sul de Minas Gerais, está a primeira e maior estância hidromineral da América Latina: Poços de Caldas, cujo nome foi inspirado no balneário português Caldas da Rainha ; que fica no oeste de Portugal e era frequentado pela nobreza lusitana naquele distante século 16. Em Poços, as temperaturas entre os meses de outubro e março nunca ultrapassam os 21 graus durante o meio-dia.

A paisagem verde, variando do cerrado à mata atlântica, concede ar puro, convidando ao relaxamento nas águas sulfurosas, alcalinas e radioativas ; que brotam de um vulcão subterrâneo extinto a 72,4 milhões de anos ;, e jorram com temperatura de 45 graus, atingindo as banheiras disponíveis ao turista a 37 graus.

Desde 1886, diversos visitantes frequentavam a cidade onde funcionava uma casa de banho, local onde doenças cutâneas eram tratadas com águas sulfurosa e termal da fonte dos Macacos. O movimento cresceu e dois anos depois, Poços de Caldas era conhecida como estância hidroterápica. Atualmente, com oito mil leitos distribuídos entre 50 hotéis, a cidade mineira recebe uma média de 130 mil turistas por ano, segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo.

Para assegurar a qualidade dos serviços prestados, são realizadas obras de manutenção diariamente. Além das terapias com águas, a cidade se destaca pela arquitetura, belos jardins e a gastronomia típica do estado. As termas, geralmente instaladas em hotéis, podem ser frequentadas por visitantes ocasionais. Projeto do arquiteto Eduardo Pederneiras, inaugurado em 1931 e tombado como Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do Brasil em 1985, o Thermas Antônio Carlos, é um exemplo do estilo neoclássico, com 34 banheiras de porcelana refratária inglesa, distribuídas em três andares. O turista pode tomar um banho de 20 minutos por R$ 40.

Mas antes de deixar as Thermas Antônio Carlos vale uma bela espiada no vitral ; obra do paulistano Conrado Sorgenicht ; na cumeeira central do prédio que, por sua vez, só nas temporadas de férias de janeiro, registra um volume de usuários na ordem de sete mil pessoas.

Desembocando no Parque José Affonso Junqueira, com seus 53 hectares, o turista pode passear por entre 1.168 árvores centenárias, provenientes dos cinco continentes do planeta. A área foi restaurada em 2001, pelo arquiteto João Neves. Lá, há a Fonte dos Leões esculpida em mármore, de onde brota água mineral; a pérgola, com colunas gregas ocupa 180 metros quadrados e, entre outros, o Palace Cassino. Cercado por jardim francês, obra do paisagista alemão Dier Berger, faz destacar o Salão Azul, com seus três enormes lustres de cristal e as colunas contendo filetes de ouro.

Outro ponto, também nos sopés da serra de São Domingos (com a estátua do Cristo Redentor a 400 metros de altitude adiante), é a Fonte dos Amores. Inaugurada em 1929, obra de Giulio Starace, que guarda uma escultura em mármore de um casal apaixonado, que, por sua vez, antecede uma cascata. Reza a lenda que o casal apaixonado, de famílias rivais, ali havia se jogado.

Na cidade, há outros nichos de majestade. Um deles é o Recanto Japonês que, nos meses da primavera brasileira, concede um espetáculo na cor rósea, quando as árvores desabrocham suas flores. Réplica dos jardins japoneses, apresenta o Caramanchão, ou Quiosque, idêntico ao Manj-Tei, do palácio imperial de Tóquio. Construído em madeira e coberto por palha, experimente beber alguns goles de chá nessa casa cercada por pequeno lago, cheio de carpas e peixes coloridos. E antes de sair, lave o rosto na Fonte dos Três Desejos, para, segundo a lenda, receber amor, saúde e inteligência.

Mas o que é belo aos olhos também aguça o paladar. Não deixe de visitar o Mercado Municipal. Inaugurado em 1890 ; obra do italiano José Carlos Garibaldi ; e desde 1969 instalado na Rua Pernambuco, tem 193 boxes internos e 54 externos. Impecavelmente limpo, possibilita o degustar dos figos verdes cristalizados, ou mesmo do doce de leite com marolo (fruta típica do sul mineiro, que é abundante entre os meses de março e abril). As delícias não param por aí. Entre os boxes há oferta do delicioso e caprichado sanduíche de pão d;água com espessa fatia de mortadela artesanal, seguido de chopinho local. É possível adquirir a cachaça mineira, o molho de pimenta, queijos variados e as cocadas de macadâmia com leite.Um primor.



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