Casal aponta para Dilma

Casal aponta para Dilma

João Santana e a mulher, Mônica Moura, afirmam que a ex-presidente discutiu pagamentos ilícitos na campanha de 2014

postado em 25/04/2017 00:00
 (foto: Xando P./A Tarde/Futura Press
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(foto: Xando P./A Tarde/Futura Press )


O marqueteiro João Santana e a mulher, a empresária Mônica Moura, disseram ontem, em depoimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que a presidente cassada Dilma Rousseff discutiu com eles pagamentos ilícitos feitos para a campanha eleitoral à reeleição em 2014. A chapa encabeçada pela petista é alvo de ação na Corte Eleitoral por suspeita de abuso de poder político e econômico.

Os relatos sobre as tratativas sobre caixa dois diferem do que disseram outros delatores, como Marcelo Odebrecht, de que a presidente cassada sabia dos pagamentos irregulares relacionados à sua campanha, mas que não havia tratado diretamente sobre o assunto.

Segundo a reportagem apurou, o casal afirmou que João Santana conversou com a então presidente da República, em meados de maio de 2014, sobre os pagamentos que seriam feitos via caixa dois. Mônica disse que tratou, posteriormente, sobre atrasos nos repasses com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha.

De acordo com os depoimentos, a Odebrecht acertou pagar R$ 70 milhões ao casal por meio de doações legais e outros R$ 35 milhões por meio de caixa dois. Da parte não contabilizada, os marqueteiros teriam recebido algo entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, restando uma ;dívida; na casa de R$ 25 milhões. O restante do pagamento, que seria efetuado usando uma conta no exterior, teria ficado comprometido com o avanço da Operação Lava-Jato.

O casal não teria mencionado de maneira explícita a expressão ;caixa dois; ao tratar do assunto com Dilma, mas afirmou que estava claro nas conversas mantidas com a então presidente a origem ilícita do dinheiro. Em outro momento, Dilma também quis saber se era seguro o pagamento feito utilizando uma conta no exterior.

Os depoimentos foram prestados ao ministro Herman Benjamin, relator na Corte Eleitoral da ação que apura se a chapa formada por Dilma e por Michel Temer cometeu abuso de poder político e econômico. Eles foram realizados sob sigilo ao longo de cinco horas, na sede do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).

;Fatos inexistentes;
Os depoimentos dessa segunda foram pedidos pelo vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, após a Corte Eleitoral reabrir a fase de instrução do processo. Em manifestação enviada ao TSE no mês passado, Dino havia pedido a cassação de Temer e a inelegibilidade de Dilma. Agora, Benjamin vai decidir se encerra a fase de instrução ou convoca novas testemunhas. Não há prazo para que ele tome essa decisão.

Por meio de nota, Dilma disse que Santana e Mônica ;faltaram com a verdade; nos depoimentos prestados ao TSE. ;Dilma Rousseff nunca negociou diretamente quaisquer pagamentos em suas campanhas eleitorais, e sempre determinou expressamente a seus coordenadores de campanha que a legislação eleitoral fosse rigorosamente cumprida;, diz a nota enviada pela assessoria da petista.

Segundo Dilma, ;tudo indica que o casal, por força da sua prisão por um longo período, tenha sido induzido a delatar fatos inexistentes, com o objetivo de ganhar sua liberdade e de atenuar as penas impostas por uma eventual condenação futura;. Procurada pela reportagem, a defesa do casal informou que reitera o ;compromisso de colaborar com a Justiça;.

;Tudo indica que o casal, por força da sua prisão por um longo período, tenha sido induzido a delatar fatos inexistentes, com o objetivo de ganhar sua liberdade e de atenuar as penas impostas por uma eventual condenação futura;
Trecho da nota divulgada pela defesa de Dilma Rousseff

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