Mortes no bloqueio ao país

Mortes no bloqueio ao país

Milhares de manifestantes participam do "Grande Plantão Nacional" e paralisam vias de Caracas e dos 24 estados. Repressão e grupos armados matam quatro em Mérida e em Barinas. Nicolás Maduro convoca eleições regionais e faz apelo ao diálogo

Rodrigo Craveiro
postado em 25/04/2017 00:00
 (foto: Federico Parra/AFP)
(foto: Federico Parra/AFP)



É do libertador venezuelano Simón Bolívar uma das frases que se tornou insígnia para alguns opositores do presidente Nicolás Maduro: ;Quando a tirania se faz lei, a rebelião se torna um direito;. Milhares de pessoas tomaram as ruas de Caracas e de cidades dos 24 estados da Venezuela, em sinal de resistência contra a ;ditadura;, na mobilização conhecida como ;Grande Plantão Nacional;. A ordem dada pela coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD) foi de bloquear, pacificamente, as principais vias do país. As forças de segurança reprimiram protestos em várias regiões. Os confrontos mataram quatro pessoas, elevando o número de mortos a 27 no último mês. Na cidade de Mérida (noroeste), Daniel Infante, estudante da Universidad de Los Andes (ULA), foi atingido com um tiro na cabeça e não resistiu ao ferimento. Em Barinas, três pessoas foram assassinadas por grupos civis armados conhecidos como ;coletivos;.

Na capital, choques entre a Polícia Nacional Bolivariana e manifestantes deixaram um ferido pelo impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo. Por meio do Twitter, Diosdado Cabello, número dois do regime, ironizou a tática da MUD. ;;Democraticamente;, a dirigência opositora o convoca para que se tranque a si mesmo e não possa circular. Sempre tão inteligentes eles!”, escreveu.

Mais cedo, Maduro tentou, em vão, amenizar as tensões, ao convocar eleições regionais ; que deveriam ter ocorrido no ano passado ; e ao convidar a MUD ao diálogo. ;Estou ansioso para que venham as eleições para governadores e prefeitos. (;) Nosso terreno natural é a luta de ideias, no campo eleitoral;, declarou o presidente. ;Estou pronto para o que disser o Poder Eleitoral, e minha busca será a paz. Estou pronto para o diálogo.;

Acusações
Na autopista Francisco Fajardo, em Caracas, dirigentes e parlamentares da MUD se uniram aos manifestantes e bloquearam a rodovia, sentados no chão. ;O tempo de Maduro se esgotou. Ele perdeu a Assembleia Nacional, as ruas, o respaldo internacional e o povo venezuelano. Hoje, toda a Venezuela está nas ruas, de plantão;, disse ao Correio Américo De Grazia, deputado do partido CausaR e membro da MUD, também presente no protesto.

De acordo com Américo, Maduro se tornou ;prisioneiro de seu próprio medo;. ;Contra ele, pesam acusações de lesa humanidade e de violações aos direitos humanos, além de crimes de corrupção que não se prescrevem. O protesto de hoje (ontem) foi de uma transcendência épica para o país, por se tratar de uma estratégia tática e impecável;, admitiu. O parlamentar explicou que a intenção do ;Grande Plantão Nacional; foi forçar a renúncia de Maduro e a convocação de eleições gerais. ;Ao cancelar o referendo revogatório, ao expropriar as eleições governamentais de 2016 e ao sequestrar o Tribunal Supremo de Justiça, Maduro cavou a própria cova.;


Forte terremoto assusta o Chile

Um terremoto de 6,9 graus na escala Richter (aberta, raramente chega a 9) sacudiu, às 18h30 de ontem, o centro do Chile, causando alarme entre a população. O epicentro do tremor, de 13,2km de profundidade, foi situado 25km a oeste da cidade de Valparaíso. As autoridades iniciaram a remoção dos moradores das áreas costeiras, mas cancelaram o procedimento, ao ficar descartado o risco de tsunami. Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre vítimas ou danos.



A arte como forma de protesto



Marilu Garcia, 41 anos, acrobata desde os 16, decidiu usar a arte para gritar contra o regime de Nicolás Maduro. Durante dez minutos, ela fez uma apresentação com um arco, pendurada sob um viaduto no Distribuidor Altamira, uma parte da Autopista Francisco Fajardo ; uma das maiores vias de Caracas. ;Foi uma maneira de expressar o meu desacordo com o governo. A performance se chama ;Venezuela reprimida;. Eu quis expressar que estamos sendo reprimidos por pensar diferente e mostrar que necessitamos ser escutados pelo governo. Eu amo o meu país;, afirmou ao Correio. ;Todos me aplaudiram. Creio que se sentiram identificados. Foi algo muito sóbrio e de muito respeito. Não foi uma apresentação festiva;, acrescentou. Para a bailarina aérea, o Grande Plantão Nacional foi uma forma de luta contra um governo armado. ;A única coisa que eu tenho é arte, e esta é minha luta.;


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