Tragégia no Jardins Mangueiral

Tragégia no Jardins Mangueiral

Vítimas apanharam e depois foram colocadas sentadas em meio-fio, onde acabaram atingidas pelo veículo

Renata Rios Ketheryne Mariz Especial para o correio
postado em 30/04/2017 00:00
 (foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

O jovem que atropelou e matou outros dois rapazes, no Condomínio Jardins Mangueiral, em São Sebastião, poderá ser solto hoje e responder às acusações em liberdade. Preso em flagrante, logo após o acidente, Fernando Salvador Souza Rodrigues, 18 anos, participará de uma audiência de custódia neste domingo. Um juiz decidirá se ele ganhará a rua ou permanecerá em cárcere até o fim do processo. E mesmo que continue na cadeia, ainda terá a oportunidade de pedir habeas corpus.
Os corpos das vítimas devem ser enterrados nas cidades natais delas. Carioca, o comerciante Daniel Barreto Batista, 28 anos, que morava no setor onde morreu, seguiria para o Rio de Janeiro na madrugada. Mineiro e morador de São Sebastião, o estudante Douglas Araújo Santos, 21, foi para Buritis. O acidente aconteceu por volta das 4h de ontem. Fernando é o único suspeito. Ele jogou o carro contra Daniel e Douglas, que estavam sentados no canteiro central, entre as quadras 12 e 13 do Jardins Mangueiral. Eles foram arremessados a cerca de 50m.


Um dos rapazes morreu na hora e o outro, apesar do atendimento do Corpo de Bombeiros, faleceu logo depois, também no local. Policiais militares, que chegaram primeiro, disseram que tudo começou após um desentendimento entre os três, durante uma festa na casa de Daniel, na Quadra 12 do Jardins Mangueiral. ;Momentos depois da confusão, Daniel percebeu que o celular havia sumido, pegou o carro (um Hyundai i30 de cor preta) e foi procurar um grupo de jovens que deixou o local mais cedo;, comentou o sargento Wellington Godoy. Daniel seguiu acompanhado de Douglas e um jovem identificado apenas como Lucas.


O militar relatou ainda que o trio encontrou os suspeitos, ainda no condomínio, desceu do carro, deixando o veículo ligado e aberto. Em seguida, eles indagaram o grupo maior sobre o telefone de Daniel. Após um bate-boca, o grupo, com cerca de 10 pessoas, atacou Daniel e Douglas e os rendeu, segundo testemunhas. ;Acreditamos que, devido aos machucados da briga (com base em lesões identificadas nos corpos), eles (Daniel e Douglas) se sentaram no meio-fio (após serem agredidos). Foi aí que Fernando pegou o veículo, deu cavalos de pau na via e acelerou na direção de Douglas e Daniel;, concluiu. Nesse momento, a dupla teria sido atingida.


Fernando, segundo testemunhas, fugiu sem prestar socorro e abandonou o carro, com a parte da frente toda amassada. Mas policiais militares encontraram o acusado e o prenderam em flagrante, ainda na madrugada. Na manhã de ontem, ainda havia marca de sangue no local do atropelamento. Uma parte do meio-fio foi arrancada. Na 6; Delegacia de Polícia (Paranoá), para onde os PMs o levaram, Fernando foi autuado por duplo homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), furto de veículo, embriaguez ao volante e por fugir do local do atropelamento.


Plantonista da 6; DP, o delegado Alexandre Pereira Sales informou que o delegado responsável pelo registro da ocorrência indiciou Fernando por homicídio culposo porque ele agiu sob efeito de álcool, não estando plenamente ciente dos atos.

Alegria contagiante

Prima de Douglas, Denia Lopes Gonçalves contou que a família acredita que não houve um acidente, mas um crime, motivado por causa da briga pelo sumiço do celular. ;Só mesmo o tempo para nos confortar. Ele era uma pessoa muito tranquila. Não era de brigar, era muito alegre, contagiava todos;, lamentou. Douglas cursava o 6; semestre de enfermagem no UniCeub. Já Daniel estava no 6; semestre de direito na Unip.


Moradores do Jardins Mangueiral estavam chocados com as mortes. A maioria soube da colisão por meio de um aplicativo de mensagem no celular. ;Não cheguei a ver o acidente, mas recebi uma mensagem sobre o que tinha ocorrido e fui ao local. Quando cheguei lá, um já estava morto e o outro estava sendo atendido pelos bombeiros. Muita gente saiu das casas. Aqui é muito tranquilo, mas a falta de lombada e de pardal faz com que muitas motoristas passem aqui em uma velocidade absurda;, contou um morador que não quis ser identificado.


O vendedor Wellington Cavalcante disse que, assim que acordou, leu em diversos grupos do WhatsApp o que teria acontecido, mas custou a acreditar. ;Nunca vi nada parecido aqui. Nem briga a gente vê por aqui. Quando soube me assustei. O local é bastante frequentado porque tem vários quiosques de alimentação, mas, a partir da meia-noite, há pouca circulação nas ruas;, afirmou.

As vítimas

Daniel Barreto Batista
Tinha 28 anos
Estudava direito na Unip
Era comerciante


Douglas Araújo Silva
Tinha 21 anos
Estudava enfermagem no UniCeub
Participava de projetos sociais

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