Operador recebia presentes valiosos

Operador recebia presentes valiosos

Wilson Carlos, que atuou como ex-secretário de governo do Rio, é apontado como operador de propinas de Sérgio Cabral (PMDB)

postado em 30/04/2017 00:00
 (foto: Justiça Federal do Paraná/Divulgação
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(foto: Justiça Federal do Paraná/Divulgação )




O ex-secretário de governo do Rio Wilson Carlos, apontado na Operação Lava-Jato como operador de propinas do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que ganhou ;de um amigo; uma poltrona de R$ 17,3 mil. Denúncia do Ministério Público Federal aponta que a poltrona foi comprada ;com valores provenientes de crimes;.

;Eu recebi um amigo de fora do Rio de Janeiro. É até uma história um tanto quanto... Eu recebi um amigo de fora do Rio de Janeiro que me disse o seguinte: ;Wilson, vou lhe presentear, vou te dar um presente que é muito interessante, que a gente só dá para amigo;. Eu disse para ele: ;meu amigo, não precisa se preocupar, não;. Ele falou: ;eu faço questão, me dá seu endereço aí que eu vou te mandar esse presente;. Quando eu tive acesso ao que era o presente, que a nota fiscal estava no meu nome e do que se tratava quando recebi esse presente em casa. Mas não fui eu que adquiri, soube, inclusive, com a denúncia que a loja era aqui em Curitiba;, relatou.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a poltrona foi comprada em 10 de dezembro de 2013 mediante seis depósitos em dinheiro fracionados em valores inferiores a R$ 10 mil. O Ministério Público Federal quis saber quem era o ;amigo;. ;Eu vou me reservar ao direito de não expor a identidade desse amigo, mas eu lhe afirmo que foi um presente;, afirmou.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa questionou a frequência com que Wilson Carlos recebia presentes. ;Esse foi uma questão esporádica de um amigo que não era empresário, apenas um amigo e que não morava nem no Rio de Janeiro, se não me falha a memória, ele morava aqui em Curitiba;, relatou.

Wilson Carlos é réu ao lado do ex-governador, em ação penal sobre propina de R$ 2,7 milhões da Andrade Gutierrez relativa ao Complexo Petroquímico do Rio (Comperj). Braço direito do ex-governador, ele controlava os repasses de propina recebidos por Cabral, segundo denúncia do Ministério Público Federal. Conforme a acusação formal da Procuradoria, entre novembro de 2008 e março de 2015, o ex-secretário ;realizou três compras e quitou 26 faturas de cartão de crédito efetuando 61 pagamentos em espécie de vultosas quantias, cujos valores somaram R$ 455.144,38;.





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