ARI CUNHA

ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 30/04/2017 00:00
A mentira agradece pelos votos recebidos

Depois da Operação Drácon, que desbaratou verdadeiro formigueiro de saúvas do dinheiro público instalados na Mesa diretora da Câmara Legislativa, chega agora a vez da Operação Hemera (deusa da mentira na mitologia grega), que tem como alvos a dublê de deputada e pastora da igreja Ministério da Fé, Sandra Faraj, seu irmão Fadi Faraj, também pastor, espécie de papa daquela instituição. Há muito se sabe que misturar religião e política vai não só contra o preceito original que manda dar a Deus e a César o que pertence distintamente a cada um, mas na contramão do bom senso e da práxis da própria política.

A sequência de casos mal explicados envolvendo líderes religiosos com cargos eletivos só não é maior do que a crença cega de fiéis e de eleitores que acreditam neles para a redenção de suas vidas. Sandra e o irmão são acusados pela polícia e pelo MP de crimes de corrupção, falsidade ideológica, uso de documentos falsos, ameaças e constrangimento de testemunhas, todos crimes muito comuns e já tornados típicos entre deputados da fé e pastores legislativos.

Segundo as autoridades, caso esses crimes sejam confirmados, poderão render até 20 anos para essa dupla de espertalhões. A proliferação acelerada de seitas religiosas, de partidos políticos, de sindicatos e de ONGs nos últimos anos e a interpenetração deles na vida dos cidadãos comprova que ainda estamos anos-luz de atingir um grau de maturidade democrática ideal.

A frase que foi pronunciada
;Parar o Brasil é fácil! Até agora ninguém conseguiu fazê-lo andar!”

Lea Pia Justi, pedagoga paranaense

Enquadrar
; Alexandre Fortes, profissional da imagem, faz uma observação sobre os indígenas que merece registro: imagine como deve ser exigir demarcação de terra para um povo que nunca precisou de fronteiras.

Marco
; Desburocratizar o governo pode virar realidade com a criação do Selo de Desburocratização e Simplificação. A ideia está no projeto de lei do Senado, já aprovado na Comissão de Educação. A articulação para a aprovação dessa medida está sendo feita pelos senadores Antonio Anastasia, Ana Amélia, Ronaldo Caiado e a presidente da Comissão, senadora Lúcia Vânia.

História
; Parece que a senadora Gleisi Hoffmann não acompanhou o histórico dos políticos que usaram cocar na tribuna. Juarez Távora, que disputou a Presidência em 1955, posou com um cocar ao visitar Goiás e perdeu a eleição para Juscelino Kubitschek. Mário Andreazza recebeu um cocar do cacique Crumari, perdeu a convenção do PDS. Em 1984, Tancredo Neves pousou de cocar. Ganhou a eleição, mas morreu sem assumir o mandato. Ulysses Guimarães, Lula e Dilma também usaram. Na última quarta-feira, foi a vez da senadora Gleisi.

E mais
; A explicação é única. Se o pássaro morreu para que suas penas servissem de enfeite ao homem branco, o descendente dos europeus se arrependeria de ter se enfeitado às custas do sacrifício.

Identidade
; A Medida Provisória 776, que acabou de ser editada, trata do registro público obrigatório, desde o nascimento. Todos os dados das testemunhas devem constar na certidão de nascimento quando não houver assistência médica para o parto. Nascida, a criança receberá um número que a identificará para o resto da vida. Assinada por Michel Temer e Osmar Serraglio, a medida passou a vigorar a partir de 26 de abril.

Boa iniciativa
; Se existe um projeto que angaria a simpatia do povo, é o que implementou os restaurantes comunitários. A comida é farta, com preço justo e muito apreciada. Em algumas RAs mais de mil refeições são servidas diariamente. Em tempos de crise, alimentar a população, dando-lhe dignidade, é o melhor que o governo deve fazer. Gutemberg Gomes, secretário do Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, está revigorando os restaurantes.

Lei ao léu
; Câmara dos Deputados envia ao Senado projeto que aumenta de 7 para 11 anos a idade permitida para crianças serem transportadas por moto. Óbvio que a lei só servirá para os grandes centros. A moto, que substituiu o jegue em todo o interior do país, leva até recém-nascido ao posto de saúde. Isso quando não vão os 4 da família na mesma moto. Detalhe: ninguém usa capacete.

História de Brasília
Estavam quase paralisadas as obras, por falta de dinheiro, e, da noite para o dia, apareceu o dinheiro, e as obras estão em ritmo bastante acelerado. Nenhum funcionário informa com precisão o que está acontecendo, dando a ideia de que tudo está sendo feito às escondidas, o que não é normal. (Publicado em 27/9/1961)

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