Irmandade da culinária

Irmandade da culinária

Em cinco restaurantes e três refeitórios, irmãos da Paraíba atendem 2.500 pessoas por dia. Em casas que servem pratos à la carte e self-service, eles veem, no bom atendimento e na qualidade dos alimentos, o segredo para o crescimento

Ana Paula Lisboa
postado em 30/04/2017 00:00
 (foto: Gabriela Studart/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Gabriela Studart/Esp. CB/D.A Press)

Nascidos em uma família dona de um restaurante de carne de sol em Condado (PB), quatro irmãos deixaram a cidade natal, ainda na juventude, para trabalhar com gastronomia em São Paulo. Depois de anos aprendendo os segredos da arte de servir e cozinhar bem, vieram para Brasília atuar no ramo. Flávio Santos, 42 anos, Kerson Queiroz, 40, Kilber Queiroz, 38, e Mao Te Se Tung Queiroz, 34, hoje, são responsáveis por cinco restaurantes ; Mambaí, Cangaia, Tapera Brasileira, Encontro e Aropemba ; e três refeitórios na capital federal. Com 60 funcionários no total, os estabelecimentos atendem cerca de 2.500 pessoas por dia. A família dos paraibanos é formada por 13 filhos. Os quatro em Brasília não são os únicos atuantes no ramo culinário: outros três são donos de restaurantes, dois em São Paulo e um na Paraíba.
Flávio, Kerson, Kilber e Mao Te Se Tung se reúnem semanalmente para falar sobre o andamento das casas, discutir erros e tomar decisões. ;A gente ajuda um ao outro a trocar cardápio, divulgar, filtrar clientes, entender o movimento;, observa Kerson. Apesar de eles serem bem unidos, cada um é responsável por empresas diferentes. O mais velho é dono do Encontro (saiba mais pelo telefone 3224-4629), que serve prato feito, lanches e caldos na 510 Sul e, em sociedade com Kilber e a ajuda da mulher, Samara Oliveira, 38, mantém o Tapera Brasileira (3224-4629), self-service no Setor Comercial Sul. Kilber é proprietário ainda do restaurante Cangaia (3323-9591), no Setor de Rádio e Televisão Sul, que serve bufê e pratos à la carte. Kerson é dono do bar, pizzaria e restaurante Mambaí (facebook.com/restaurantemambaibrasilia), no Park Design (shopping especializado em móveis localizado no Guará, próximo ao Casa Park) e, em maio, vai inaugurar a pizzaria Dom Guga no Sudoeste. Com a esposa, Klecia Chaves, 30, comanda três refeitórios em funcionamento dentro de empresas do Grupo Saga.


Mao Te Se Tung coordena, com a ajuda da esposa, Franciene Lustosa, 35, o restaurante à la carte Aropemba (3047-4045), no condomínio Living Superquadra, no Park Sul, que atende exclusivamente os moradores do local. ;Como é um público de poder aquisitivo mais alto, a crise não teve muito efeito aqui. Faço muito evento aqui dentro também, como festa de Dia das Mães;, diz Mao Te Se Tung, conhecido como Marcos. Os demais estabelecimentos sentiram os efeitos da recessão e medidas foram tomadas. ;Nos adaptamos: lançamos pratos executivos e opções mais em conta nos restaurantes;, completa Flávio. É unânime entre os irmãos a opinião de que o bom atendimento e a qualidade dos alimentos são fatores essenciais para o sucesso. ;Na nossa rotina, estamos sempre próximos dos clientes, passando de mesa em mesa;, conta Flávio. ;Formamos vínculos de amizade e fidelização com os frequentadores. No caso do Cangaia, 90% das pessoas vão lá todos os dias;, observa Kilber.


Outro relacionamento importante se dá com os funcionários. ;Toda a comida é feita, em princípio, por nós. Com o tempo, treinamos pessoas para nos ajudar;, explica Flávio. ;Cativar o empregado é ainda mais importante do que cativar o cliente para ter um bom resultado. Somos uma família e, como tal, temos que trabalhar juntos para que todos saiam ganhando;, completa Kilber. Os empresários veem a mão de obra como uma das principais dificuldades dos negócios. ;Falta gente capacitada e principalmente interessada;, percebe Kerson. Outro fator essencial para o sucesso é a afinidade com a área. ;Eu não me canso de cozinha nunca;, garante Marcos. ;Adoro trabalhar com gastronomia, para mim, não tem nada melhor;, complementa Kerson.

História
;Começamos a trabalhar na gastronomia com 18 anos em São Paulo. Iniciamos como cumim (ajudante de garçom) e fomos progredindo, passamos para recepcionista, ma;tre, subgerente, chef... Assim, aprendemos o que sabemos. O Flávio e o Kilber se casaram com gente de Brasília e se mudaram para cá, há cerca de 17 anos. Como somos muito unidos, o restante acabou vindo também;, conta Kerson, que está no DF há um ano e três meses. ;Aprendi todas as minhas receitas em São Paulo. A massa da minha pizza, por exemplo, não leva ovo, leite nem açúcar;, conta.


O primeiro a se aventurar pela capital paulista foi Flávio, que é irmão de criação dos demais. ;O pai deles é meu padrinho e dono de restaurante. Eu entrei para a família aos cinco anos. Meu pai mesmo era dono de churrascaria. Então, fomos criados nessa área. Em São Paulo, nos restaurantes em que trabalhamos, fazíamos cursos todos os meses e nos aperfeiçoamos bastante;, revela Flávio. ;Eu, por exemplo, tive experiência com culinária árabe, japonesa, indiana, churrasco; A minha especialidade mesmo é risoto. O que mais gosto no meu trabalho é de cozinhar;, conta Mao Te Se Tung. A experiência foi marcada por sacrifícios. ;Saí da Paraíba com 17 anos e fiquei sete anos sem ver minha mãe;, revela.

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