Por uma velhice saudável

Por uma velhice saudável

Assim como os humanos, os cachorros também podem apresentar doença senil com o avançar da idade. Os tutores devem ficar atentos aos sinais e, desde cedo, cuidar da alimentação e fazer checapes periódicos no melhor amigo

POR ANDRÉ BAIOFF*
postado em 30/04/2017 00:00
 (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

Considerados os melhores amigos do homem por serem carinhosos, companheiros e fiéis, os cachorros também passam pelo processo de envelhecimento. E é nesse estágio que começam a aparecer doenças peculiares, como a difusão cognitiva ; doença senil ou demência senil. Essa patologia é parecida com o Alzheimer nos seres humanos.

Os primeiros sinais da doença variam de raça para raça ; a fase idosa também é inconstante para diferentes tipos de cães. Nas de porte pequeno, por exemplo, começarão a transparecer a partir dos 7 anos. Os tutores, porém, devem ficar atentos a certos indícios, como quando o cão troca o dia pela noite, uiva sem motivos aparentes, está apático, faz as necessidades em lugares diferentes do habitual, fica desorientado e esbarra nos móveis da casa.

A médica veterinária Andréa Moraes Carneiro orienta os donos que perceberem alguns desses comportamentos em seu pet a levá-lo a um consultório veterinário. Assim, serão prescritos os exames necessários, e o profissional indicará medicações, além de receitar nutrientes para retardar a demência, já que a difusão cognitiva não tem cura. ;O animal precisará de alimentos à base de ômega 3, selênio e vitaminas para auxiliar nesse período;, detalha a profissional.

O servidor público Renato Rezende Rodrigues, 37 anos, tem um poodle chamado Moleque, de 16 anos. Inicialmente, ele pertencia à ex-namorada, porém, mesmo após o término do namoro, os dois mantiveram a responsabilidade de cuidar do cachorro. ;Ela não tem espaço na casa nova nem ninguém para cuidar do Moleque. Então, decidimos que ele ficaria comigo, porque a minha família dará o apoio e os cuidados especiais de que precisa na nossa ausência;, diz.

Moleque está em uma idade avançada e Renato sente que o animal não está feliz com a vida atual. ;Antes, ele era muito ativo e esperto, sempre brincalhão, a alegria da casa;, relembra. Hoje, anda triste, sem vontade de viver. ;Vejo-o cabisbaixo, e isso me entristece muito. Gostava quando ele se divertia com qualquer coisa. Ele era um cão muito inteligente;, emociona-se.

Renato não sabe ao certo quando surgiram os primeiros sintomas da doença em Moleque, mas percebeu o cachorro de um jeito estranho e ficou preocupado. ;Ficava meio perdido, batia com a cabeça na parede e latia para pessoas do convívio, como se fossem desconhecidas;, descreve. Por conta da idade, o cão já sofreu com outras enfermidades. ;Ele teve complicações no coração e no tendão da pata esquerda. Tem catarata, mas a veterinária disse que é baixa e, portanto, não traz problemas significativos.;

Prevenção e tratamentos

A médica veterinária Esther Reinheimer diz que os tutores devem fazer checapes nos animais a cada seis meses. Quando o bicho estiver idoso, o veterinário responsável recomendará os exames necessários, além de estipular o retorno para outra avaliação, se for relevante. ;Leve periodicamente ao veterinário não só o animal idoso, mas todos. Assim, certas doenças serão diagnosticadas ainda no início;, alerta.

A alimentação também fará diferença para retardar o processo degenerativo. ;A doença pode ser consequência de um acidente vascular cerebral (AVC) causado, também, por má alimentação, quando o animal é jovem;, conta. Para Esther, algumas raças apresentam maior propensão à doença senil, como as de pequeno porte (yorkshire, lhasa apso, shit-tzu etc.), assim como o labrador. ;Acabo observando que eles têm mais chances de estarem nessa condição senil;, finaliza.

* Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte

"Leve periodicamente ao veterinário não só o animal idoso, mas todos. Assim, certas doenças serão diagnosticadas ainda no início;

Esther Reinheimer, médica veterinária

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação