Produção industrial cai 1,8% em março

Produção industrial cai 1,8% em março

Após estabilidade em fevereiro, setor volta a enfraquecer e coloca o ritmo de reação da atividade econômica sob suspeita

» RODOLFO COSTA
postado em 04/05/2017 00:00

A indústria continua dando sinais de enfraquecimento. Após apresentar estabilidade em fevereiro na comparação com janeiro, a produção de manufaturados registrou queda de 1,8% em março na comparação com o mês imediatamente anterior, segundo dados da Pesquisa Mensal Industrial (PMI) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado pegou de surpresa o mercado. A expectativa para o indicador no mês era de uma queda de 0,9%, metade do desempenho efetivo. Na avaliação de alguns economistas, a queda coloca sob suspeita o real ritmo de reação não apenas da indústria, mas de toda a atividade econômica.

Por ser um setor com mão de obra formal e com a maior renda média, sinais de melhora da indústria costumam ditar o ritmo de recuperação. Mas, diante da instável produção industrial, ainda é cedo cravar alguma recuperação. Sobretudo, frente à queda de 1,8% em março, a maior para o mês nessa base de comparação em toda a série histórica.

O desempenho foi uma ducha de água fria no mercado, avaliou Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos. ;Não esperávamos retração dessa magnitude;, admitiu ele, que previa alta de 0,2%. ;Na verdade, a economia brasileira está enfrentando uma grande dificuldade de ganhar tração. Os números divulgados ora mostram uma possível recuperação, ora decepcionam;, acrescentou.

O processo de retomada, disse Espírito Santo, será lento e gradual. ;É preciso perseverar nos ajustes para que não retrocedamos nas conquistas recentes;, analisou. No entanto, sob outra ótica dos dados apresentados pela PMI, é possível observar uma reação, ainda que incipiente, da indústria. No primeiro trimestre de 2017, a produção registrou ligeira alta de 0,6%. Foi a primeira variação positiva após 11 quedas consecutivas.

Acomodação


Do quarto trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2015, a queda da produção só se aprofundou, chegando a uma retração de 11,7%. A partir do primeiro trimestre de 2016, o volume de manufaturados produzidos iniciou trajetória de recuos menores, até cair 3,3% no quarto trimestre do ano passado.

As retrações menores coincidem com recuos menos intensos da população ocupada, segundo dados do IBGE e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No primeiro trimestre, o setor criou 18 mil postos de trabalho formais, melhor resultado para o período desde 2014.

;Os dados trimestrais de emprego e produção mostram acomodação. A piora dos últimos meses não se repetirá daqui em diante;, estimou Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria.

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