A luz do documentário

A luz do documentário

Uma mostra com entrada franca e nove longas-metragens com estreia na cidade estão entre os chamarizes

Ricardo Daehn
postado em 04/05/2017 00:00
 (foto: Iskra/Divulgação)
(foto: Iskra/Divulgação)


Com programação curta, mas intensa, contemplando inclusive os vencedores deste ano, o É Tudo Verdade ; Festival Internacional de Documentários estreia no circuito brasiliense, hoje, com a exibição de No intenso agora, de João Moreira Salles. O evento segue até domingo, com sessões de graça no Espaço Itaú de Cinema (CasaPark), as senhas devem ser retiradas com uma hora de antecedência. Abrindo as 11 sessões previstas para o evento organizado pelo crítico de cinema Amir Labaki, hoje, às 20h, No intenso agora, título apresentado em mostra paralela do Festival de Berlim, alinha fatos marcantes do século 20, com relevância política, e que habitavam o arquivo de imagens da família Moreira Salles, no revirar de lembranças do cineasta.

O É Tudo Verdade terá ainda sessões com os vencedores de cada âmbito de longas (nacional, estrangeiro e latino), além de outros sete títulos (confira a programação no site do Correio). Destaque para Cidades fantasmas, de Tyrell Spencer, que funde conceitos de construção de povoados e culturas com movimentos de desmantelamento de sociedades, em que apontam casos como o progresso localizado diante da valorização do salitre chileno, a prosperidade ocasional do ciclo da borracha, que fez brotar Fordlândia, no Pará, e casos de erupção de vulcão (na Colômbia) e de barragem rompida (na Argentina).

Casos familiares e impasses sociais estão integrados nos títulos Comunhão (da Polônia) e Los niños (do Chile). O primeiro é centrado em Ola, menina de 14 anos, autossuficiente e que cultiva ilusões de unir parentes disfuncionais que a circundam, nesse filme de Anna Zameck. Já o segmento latino foi vencido por Maite Alberdi, com Los niños, que revela barreiras de apoio à independência completa de pessoas maduras com síndrome de Down.



Outras estreias



Ninguém entra, ninguém sai
Danielle Winits, Letícia Lima e Rafael Infante estrelam o filme de Hsu Chien, que se passa no fictício motel Zeffiro;s, em que polícia e curiosos se aglomeram em frente à edificação tornada uma fortaleza.



Clash
Mohamed Diab dirigiu o drama que examina passado recente do Egito relacionado à queda do presidente islamita Mohamed Morsi. Filme de abertura da mostra Um Certo Olhar (em Cannes), mostra a polícia impondo confinamento para integrantes de grupos de protesto e resistência.



A filha
Primeiro longa do encenador teatral Simon Stone traz Sam Neill, Geoffrey Rush, Miranda Otto e Ewen Leslie, num drama passado na Austrália. Na trama, Christian (Paul Shneider) quer corrigir um erro do passado que, porém, põe em risco muitos de seus conhecidos. Baseado em O pato selvagem (de Henrik Ibsen), esteve em Mostra paralela do Festival de Veneza.



Norman ; Confie em mim
Com Richard Gere, Charlotte Gainsbourgh e Steve Buscemi, o longa reúne dois solitários: Micha (Lior Ashkenazi), político de Israel às vias de se tornar primeiro-ministro, e Norman (Gere), um empreendedor. Norman tem assinatura de Joseph Cedar, autor de Nota de rodapé (melhor roteiro, no Festival de Cannes, em 2011).



A família Dionti
De Alan Minas, venceu, pelo voto popular, o 48; Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e, no Festin Lisboa, também foi o melhor filme, pelo voto do público. Mistura primeiro amor, metáforas e explosão de vida.



Rock dog ; No faro do sucesso
Animação de Ash Brannon mostra um cão com medo de não corresponder à boa fama do pai, meticuloso no resguardo de ovelhas. O cão do título quer mais é ser astro de músicas modernas.



Sobre viagens e amores
Autor de O último beijo (2001), Gabrielle Muccino, no oitavo longa, reúne os personagens Matt, Paul, Marco e Maria, em San Francisco, para uma viagem de descobertas sexuais.



Melhores amigos
Drama de Ira Sachs mostra a amizade em risco, firmada no Brooklyn, entre Jake e Tony. A ameaça vem de desavenças resultantes de inesperada herança familiar.



A autópsia
Um necrotério de cidade interiorana e um corpo com identidade não identificada estão no caminho do personagem de Emilie Hirsch (Na natureza selvagem), neste terror do cineasta norueguês André Ovredal.



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