Bonito, barato e quase bom

Bonito, barato e quase bom

Experimentamos a versão automática do JAC T5, o SUV impõe respeito no assunto espaço interno e até no preço, mas desliza em praticamente todo o resto, do motor à suspensão

Geison Guedes Especial para o Correio
postado em 04/05/2017 00:00
 (foto: JAC/Divulgação - 10/11/16 )
(foto: JAC/Divulgação - 10/11/16 )

Dentro dos segmentos da economia, um dos mercados mais flexíveis é o de automóveis. Poucos setores conseguem entregar tantas opções diferentes ao consumidor. São veículos de todos os tamanhos, formas, configurações e cores possíveis. Dos supercompactos aos superesportivos, passando pelos sedãs, station wagon, picapes, hatchs, monovolumes e, a sensação do momento, os SUVs. A categoria de utilitários esportivos cresce a cada momento, em números de vendas e de representantes.


Como toda categoria automotiva, ela conta com várias subdivisões, grandes, médios, de luxo, premium ou compactos. Esta última virou a queridinha dos brasileiros. Para se ter uma ideia, até 2015, basicamente, existiam apenas dois modelos, o Ford Ecosport e o Renault Duster. De lá para cá, foram lançados outros sete SUVs. Praticamente todas as marcas estão apostando na categoria. Uma delas é a JAC, que no período apresentou o médio T6 e o pequeno T5, inclusive com opção de câmbio CVT. Testamos o utilitário chinês e pudemos verificar todos os pontos fracos ou fortes do veículo.


Primeiro vamos falar de números. O T5 CVT custa R$ 73.490, bem abaixo dos concorrentes ; alguns passam dos R$ 100 mil. Mesmo assim ele não é um produto de grandes números de venda. Lançado em março do ano passado, ele fechou 2016 com 923 unidades vendidas, ficando em 32; no ranking dos SUVs. Até abril deste ano, o mercado geral apresenta plena recuperação, e mostra que pode fechar no azul após um longo período de vacas magras.


O primeiro trimestre de 2016 apresentou um aumento de 24%, se comparado com o mesmo período do ano anterior. O segmento de utilitários teve uma melhora de 20,87%. O próprio T5 já vendeu 530 modelos em três meses, mais do que a metade de todo o ano passado. Mesmo assim, bem abaixo dos líderes da categoria, que acumulam vendas próximos das 10 mil unidades. É preciso frisar que a JAC ; por não ter fábrica no Brasil e para não receber sobretaxa de importação ;, tem que respeitar a cota de 4,8 mil veículos importados por ano.

Ficha técnica

Motores: 1.5 de 127cv (e) a 6.000rpm e torque de 15,4kgfm (e) a 4.000rpm e 125cv(g) a 6.000rpm e torque de 15,7kgfm (g) a 4.000rpm
Dimensões: 4.325mm de comprimento; 1.765mm de largura; 1.625mm de altura e 2.560mm de entre-eixos;
Transmissão: automática CVT
Direção: elétrica
Porta-malas: 600 litros
Suspensão: independente
tipo McPherson na dianteira e
semi-independente na traseira
Pneus: 205/55 R 16
Freios: a disco nas quatro rodas
Consumo: 9km/l na cidade
Preço: a partir de R$ 73,4 mil

Prós e contras

O T5 chama a atenção por diversos fatores. De cara, agrada pelo design, que é equilibrado, com linhas simples e diretas, sem ousar muito. Como gosto é algo muito particular, é subjetivo dizer se ele é bonito ou não. Ao entrar, o espaço interno se destaca. Mesmo cinco adultos conseguem viajar sem apertos. O porta-malas também acompanha o interior e conta com uma área generosa para carregar objetos, são 600 litros, de longe, o maior da categoria.
Outro detalhe interessante do SUV chinês é o preço. Vendido em única versão, o utilitário custa R$ 73,4 mil ; valor abaixo da grande maioria dos concorrentes e, no quesito equipamentos, é bastante completo. Vem com ar-condicionado digital, central multimídia com controles no volante e tela de oito polegadas, assistente de partidas em rampas, controle eletrônico de estabilidade (ESP), bancos revestidos em couro e câmera de ré.
Passada a boa impressão do design e do espaço interno, o primeiro impacto negativo é a qualidade dos materiais colocados no SUV. O T5 é um veículo que deixa muito a desejar, do conjunto mecânico ao acabamento e materiais internos, a qualidade é bem inferior. Um veículo de mais de R$ 70 mil não pode ter a quantidade de plástico duro no interior. Tirando os bancos, que são de couro, todo o resto é pobre, até mesmo as partes que imitam alumínio. O acabamento parece ser feito sem cuidado, nota-se rebarbas, principalmente nas partes com plásticos mais claros.


Os botões no volante parecem de brinquedo, a sensação é de que, se forem apertados com muita força, se quebrarão. A central multimídia é uma mistura, a tela é grande ; o que é bom ;, mas de qualidade inferior. Praticamente todo tipo de luz que entra no carro atrapalha a visualização do sistema. Com isso, é preciso cuidado na hora de dar a marcha a ré, com a imagem escura, o motorista pode não enxergar um obstáculo corretamente.

Falta fôlego
O T5 parece um carro cansado. E nem podemos culpar a transmissão, que é automática CVT, que tende a ter respostas mais lentas. O motor também ajuda na falta de fôlego. O utilitário é equipado com um propulsor 1.5 de 127 cavalos e torque de 15,4kgfm, no etanol, relativamente fraco para o seu porte. O motorista pode pisar fundo no acelerador que ele demora a sair. O processo, é vagaroso e perigoso no trânsito, pois a resposta tardia atrapalha em manobras simples como ultrapassagens, saídas e retomadas de velocidade.
Veículos com câmbio CVT tem o costume de urrar. Mas o JAC exagera na dose. Para se ter uma ideia, em 2.500rpm, ele faz barulho como se estivesse em quatro mil. É desconcertante, além de incomodar. No entanto, a transmissão CVT é confortável, não há trancos. Mas ela deveria ajudar no consumo do carro, que é um pouco alto. Durante o teste pelas ruas de Brasília, fez, em média, 9km/l, um pouco abaixo dos dados oficiais de 9,7km/l, de acordo com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).


A suspensão não fica muito atrás do motor. A dianteira é equipada com uma independente tipo McPherson e a traseira com um eixo de torção semi-independente. Mas o rolar não é macio, todo e qualquer desnível da pista é repassado para a cabine. E, com a qualidade das nossas pistas, é um incômodo atrás do outro. Na segunda fileira de bancos, o desconforto é ainda maior. O chacoalhar é irritante. A direção elétrica é leve até demais, principalmente acima dos 50km/h, o que deixa a condução um pouco mais arriscada, a sensação é de que qualquer toque mais brusco no volante faz o motorista perder o controle do veículo.

Concorrentes

Ford Ecosport SE
Motor: 1.6
Potência máxima: 131cv (e) e 126cv (g)
Torque máximo: 16,1kgfm (e) e 15,4kgfm (g)
Direção: elétrica
Combustível: etanol/gasolina
Transmissão: automática de 6 velocidades
Peso: 1.259kg
Porta-malas: 362 litros
Tamanho (A

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